segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Você é a felicidade


A felicidade é assim mesmo: fútil. 

A felicidade é o laço azul de bolinhas pretas que você usa na cabeça como se fosse uma menina. É quando você canta desafinada no meio da rua e ri sozinha das pessoas te olhando.

É quando você dança desengonçada na frente do espelho e seu filho não aguenta de tanto gargalhar.

Você não é o fardo. Você não é a leveza. Você não é Tereza, Tomas, Sabina! Pois você não é um livro! Erraram-te! Apontaram-te os adjetivos errados.

Você é a felicidade! Você é a felicidade quando coloca seus óculos de plástico rosa para ler cartas e poemas. Quando usa suas saias floridas de hippie ou quando sai com sua sandália gladiadora zombada por todos. 

Você é a felicidade quando usa gliter no olho e coloca penas na cabeça! E quando sopra cata-ventos...

Você é a felicidade quando come  chocolote às 5 da matina como se fosse a melhor refeição de todas. E come torta de morango antes do almoço...

FELICIDADE É VOCÊ, SWEET!
V

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Eu me desculpo

  


Eu me desculpo por ser tapada e por acreditar em tudo que eu escuto.

Eu me desculpo por passar noites em claro, expiando minha culpa, meus erros, fracassos, tropeços.

Eu me desculpo por magoar aqueles que amo quando meu coração está esmagado.

Eu me desculpo por ser uma exaltada violenta, uma maluca intempestiva, um cacto.

Eu me desculpo por crer absolutamente no AMOR, por achar que ele me salvaria, por ser cega, burra, estúpida.

Eu me desculpo por ser uma sonhadora, por acreditar que o meu coração é o que vale a pena.

Eu me desculpo por escrever poemas péssimos, que talvez só inflem orgulho e não sejam entendidos em sua infinitude.

Deus, você me perdoa por ser tão crente sempre?


Eu me desculpo mesmo. Sou apenas uma menina que procura um abrigo de verdade, construído solidamente. Que seja forte o suficiente para aguentar tempestades e que seja doce o bastante para se reconstruir.

E eu só desculpo a mim mesma. Mereço desculpas.
 Nao peço mais desculpas pelo que sou e pelo que tenho de bom.



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A volta do sol

Quando o sol volta, eu deito no colo de Deus, pego na mãozinha do sol e durmo nos sonhos dele. O sol me faz o melhor carinho do mundo.
E assim recupero a capacidade de me encantar...de amar ao extremo...e não me preocupo com mais nada, com exceção do solzinho feliz!
Eu, mãe! Eu, absolutamente mãe!

domingo, 6 de novembro de 2016

Procurando por Deus

Então eu procurei o Deus: o Deus que me ocupa absolutamente em determinados momentos; o Deus que se ausenta de mim em tantas outras vezes. Será que fujo do Deus por não aguentar o que há de mais humano em mim ?! Será que é porque preciso de alguém que não haja como uma acusadora-julgadora por ciúmes, orgulho e vaidade? Eu sou uma pecadora que busca a rendeção em todos os lugares, mas só a encontra no Amor. Eu perquiro o Amor em toda circunstância, mas ele não me responde. Talvez porque o Amor não permita indagações, suspeitas e medos. Assim como deve ser  o  Deus. O crente inabalável crê em devaneios. Mas eu  não sei se posso continuar ignorando a realidade que me rodeia. Não sei mesmo. 

Deus: procure-me por mim. 

Amor: ache-me.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Questão de semântica

Palavras são pedras muito duras. Às vezes, a falta delas é excrucitante. Melhor um xingamento. Jeito feio este de pensar. Eu sei. É porque eu sempre digo palavras como se eu fosse um dicionário-gramática falante. Quando eu não digo mais nada: é porque...
Há outras vezes...nos quais o modo como as palavras foram ditas me mostra tanta coisa...
A SEMÂNTICA.... A SEMÂNTICA DA VIDA...Damos pouco valor a ela. Mas não deveríamos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

À modelo que eu nunca fui e jamais serei!



Inatingível modelo,
Voz baixa. Jeito delicado. Da sua boca: palavras floreadas. O seu futuro é certo, planejado, programado. Cabelo em ordem.Olhos sem olheiras. Choros contidos. Bochechas rosadas. Mulher contida, leve e frívola?! Unhas sempre feitas. Roupas alinhadas. Você só bebe vinho. Uma única taça. Jamais beberia catuaba. Você não faz barraco. Não fala alto. Faz ginástica. Bebe suco de laranja. Não se entope de chocolate. Não fica maluca na TPM. Você é uma profissional perfeita. E planeja ter seus filhos no momento adequado. Você não se separaria logo após o casamento.  E não seria mãe solteira. Você faz caridade e raciocina. Você não surta por amor, desamor e dor. Você é comportada. É linda. Deslumbrante.
Você é o meu oposto.
Mas eu NÃO quero ser você. (?!)
Nem por um segundo. (?!)
Sou neurótica. Exaltada. Visceral.
De nascença.
 E isso nem seria preciso dizer.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Eu prometo usar óculos escuros


EU PROMETO USAR ÓCULOS ESCUROS
Quando meus olhos estiverem cinzas e o meu coração estiver apertado...
EU PROMETO USAR ÓCULOS ESCUROS
Quando eu estiver em guerra comigo mesma;
Quando me derem tapas e pontapés;
Quando você tiver que tomar injeções e chorar no meu colo;
Quando o meu estomago doer e a minha cabeça latejar;
Quando você sentir dor de saudades;
Quando a ignorância me deixar arrasada com tantos preconceitos e ódio;
Quando alguém ousar ser cruel com você;
Quando a minha fé estiver esgotando-se;
...
Em todos os outros dias, todavia, você verá meus olhos alegres e o meu sorriso besta de mãe que ama com tanta força que não quer que você sofra com o que não lhe é próprio da idade. Não estou te mantendo numa redoma. Mas você é pequenino. Ainda precisa que eu te defenda. E defender-te, às vezes, implica esconder meus sentimentos.
...
EU PROMETO TIRAR OS ÓCULOS ESCUROS quando você for maiorzinho e puder entender que não deve sofrer por aquilo que não é responsável. Eu não quero que você seja um dramático sentimentlista como a mamãe. Combinado?! Eu quero você FELIZ no maior número de momentos possíveis. Este é o grande e maior desejo da minha vida. E é por isso que luto.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Tamanha Lucidez

Foi assim que eu me conheci profudamente e visceralmente: com a visita de um monstrinho débil. 
Foi quando me dei conta de quem eu sou: uma ansiosa cuja sensibilidade beira extremos incógnitos agudos e crônicos.
É assim que me reconheço como pessoa que sou hoje: raros medos, absurda vontade de viver cada segundo de felicidade que me é dado pelos céus.
O monstrinho me deixou heranças. Sorrisos dignos, distintos e espontâneos. Olhares internos espertos. Ouvidos aguçados.
Tristezas? Somente as ordinárias.
Tenho tapeado muito bem o monstrinho do buraco, da recessão imotivada.
Presto atenção na caminhada.
Ele corre?! Eu corro mais depressa. Ele grita?! Ah! Eu berro! E sou verborrágica: canso-o com tantos argumentos que ele vai embora.
 Acendo as antenas da lucidez quase todos os dias. 
E as loucuras? Assusta o monstrinho do buraco! Ele sabe que são sinais de liberdade e de legítima defesa da alma que não quer ser encarcerada!
Caso o monstrinho queira aparecer?! Apareça! Já aprendi a ouvir os seus primeiros passos. E sou eficiente: já sei quem é o meu porto seguro.

Gauche


Quando eu nasci, um anjo desses bem lúcidos - que vive da racionalidade absoluta - disse-me: -Vá, menina! Siga o caminho da lógica! Mas eu não! Desobedeci o anjo e cá estou eu a seguir o caminho do coração.
Mundo mundo, vasto mundo!
Se quase tudo nesta vida não fosse tão imundo...
Teríamos muitas rimas, não  condenações!
Mundo mundo, vasto mundo!
Deixe para lá o meu coração!
Tenho eu nenhuma ambição.
Sim, sim! Eu deveria dizer-te...MAIS...MUITO MAIS!
Acontece que esta lua, este vinho...
Não me trazem qualquer definição.
Fico aqui ora fazendo alusões ora tendo visões.

Licença poética, Carlos! Nasci gauche!

sábado, 3 de setembro de 2016

NÃO

O NÃO que poupa, que esclarece, que liberta é um não-sim. 
É uma afirmação do que se é. É uma declaração do que se sente.
Dizer NÃO quando o que se queria era dizer um sim bem sincero é tão difícil quanto inventar um sentimento ou fazer sumir o amor. 
Mas se deve dizer o NÃO! Aquele NÃO que evita a dor próxima do outro. Este é um NÃO improrrogável. Um não para se gritar! Um não explícito!
A impossibilidade de dizer um sim verdadeiro deve necessariamente levar ao NÃO por consequência lógica-amorosa-digna.
O NÃO complicado de se dizer é na verdade um sim decente: um sim para a vida que está aí toda bonita e colorida para que a gente a viva claramente. 
Talvez pior do que ser omisso com o outro é ser omisso consigo mesmo.
Postegar o NÃO-SIM é uma das maiores bobeiras da vida: prende-se o presente e desespera-se o futuro.
"O QUE A VIDA QUER DA GENTE É CORAGEM" (G.R)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Direito de resposta

Direito de Resposta

Busca-se em lugares quaisquer AMOR
Não paixões exaltadas e efêmeras e futeis e relapsas
Quer-se a calmaria de uma crônica encomendada
Repulsa-se lampejos ainda que luminescentes
Deseja-se a paz amorosa de verdadeiros budistas
Não se requer experiência  nem arrebatamentos
Necessita-se, pois, de sentimento sincero

Ass: Eu

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Estado de quase descobrimento

As pessoas olham as minhas fotografias e acham que sabem algo sobre mim. Soltam frases de efeito sobre companhia e solidão, como se fossem mestras na arte da felicidade, como se soubessem o que me apraz. 
Não sabem. 
Dizem que eu ando só. É verdade que tenho raríssimos amigos.  E tenha andando com o coração a procura de um amor que não se prenda a utilidades (MENTIRA! NÃO PROCURO POR NINGUÉM! rs!)
Não sei amar o raso. A profundidade é minha essência. 
E veja: há lugares não habitados, dificilmente acessíveis e não descobertos dentro de mim mesma. 
Há um mundo inteiro dentro de mim. 
 Descubro-o pouco a pouco. Não tenho pressa. É bom estar assim: em estado de quase descobrimento.
Não sou solitária. Sou só. Todos somos sós.
Mas isso não implica ausência de AMOR. Muito pelo contrário!
O meu coração agora está cheio de amores.
 Amores tão bonitos e coloridos!
Amores por mim mesma. 
Amores pelos próximos que sequer sabem!

Olho-me no espelho e me sinto linda. 
Menina-mulher-borboleta.
 Tenho orgulho das minhas andanças, tropeços e escolhas. 
Descobri que sou toda forte.
E sempre soube que eu era muito sortuda ou abençoada: só não sei qual dos dois...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Me, myself and I

Chamam-me sonhadora. Talvez este seja o único título que realmente eu queira ter. E o meu nome, minha honra e minha imagem? Perguntam-me tanto! E eu respondo: dane-se! Tenho mais o que sentir! Também tenho mais o que SER. 
E eu quero a cancão, o poema, mas não quero mais o entendimento. Sou incompreensível por natureza: não quero que entendam este meu ritmo, ora acelerado, ora devagar quase parando. O meu ritmo depende do ritmo do coração. E o ritmo é por demais instável  e mutável. 
Sou um aforismo conhecido, mas que não direi. 
Boca fechada não engole sapo. É secreto! 
A equivocidade é a minha lógica.
Nunca quererei me estabilizar. Flutuar é preciso e eu só sei ser sendo e só sei ir indo. E só sei amar amando. Não há outro modo de existência para quem se metamorfoseia de nascença. Anfíbia seria a minha palavra?! A palavra que se transmuta, que se transforma em "facere"? Sim e sim! Sou o próprio gerundio travestido de surpresas, entende?!
EU APOSTO QUE NÃO.





segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sonhos

O que sou eu sou eu sem meus sonhos dançantes-flutuantes-luminescentes?  
Quem sou eu se deixo para lá aqueles sonhos entranhados e enraizados na minha alma ?! Sonhos pequenos, mas grandes. Sonhos irrelevantes, mas cruciais. Sonhos rechaçados, mas imperiosos ao meu ser-ser.
O que eu faço de mim quando o que parece me restar é deixá-los naufragar? 
O que fazer se a vida me obriga a sustá-los?! 
Desistir? Talvez implique render-me ao que eu não acredito.
Importa resignação não querida e eventualmente necessária em nome de um amor extremo que só tem a mim. 
Compreende?
E eu só tenho a mim mesma. Não há mãos imprudentes que se entrelacem com as minhas. Elas não ousariam. E quando ousam, amedrontam-se. Ainda que eu só queira dar amor. Ah, sim! um amor meio torto e a minha maneira: badalado.  Reconheço. Admito. Peço perdão. Não adianta. Eu vivo num mundo diferente do MEU mundo interno. Este meu mundo que só pensa sobre sentir.
Ah! Esse revés..Esse desencantamento...Onde guardo-os? Dentro de mim NÃO cabe! 
Com quem eu falo sobre o que há de mais hermético em mim?! 
Esses meus desejos crônicos de amor ao próximo! 
Essa minha esperança que precisa ir embora e permanece à espreita olhando-me com ares de quase-não-certeza! 
Olhe-me indubitavelmente, ora!
Arranque os sonhos de uma única vez. Ou apenas transforme-se em fé-crente-confiante-inabalável. Transmute-se numa epopeia.
Andréa Buschinelli
01 de agosto de 2016.

domingo, 24 de julho de 2016

Recado

Menina,
Você fez o que estava ao seu alcance. E isso é libertador.
Agora:
 Reserve-se. Cuide-se. Guarde-se. Recolha-se. 
Mantenha o bom humor, pois ele lhe cai muito bem.  
Ria sozinha. Pinte a face. Mude o cabelo. Faça caretas. Tire fotos de si mesma e caia na gargalhada!
Continue esse seu caminho bonito. E, por favor, não tente ser exemplo para ninguém. Você é linda assim.
Continue falando alto e dando esses seus barracos encantadores. Essas suas maluquices são seu charme! 
Você bem sabe que há momentos na vida nos quais ficar quieta é a melhor solução.  Portanto, guarde a expressão na gaveta, tranque com chave e jogue fora. Vá em frente e com força e com fé.
Você é aquela que alardeia sentimentos, porque você é uma grande corajosa. E isso me enche de orgulho e alegria. Eu sei quem você é e o que você carrega! 
 Mas você também é aquela que cala, que silencia, que omite. É preciso fazer isso. Faça agora.
Não é falta de coerência com o seu coração, minha querida. Trata-se de necessária e devida proteção.
Lembre-se: TEMPO. A resposta está no tempo. Você entenderá a razão ou não. A VIDA ESTÁ AÍ E VOCÊ ESTÁ DANDO UM SHOW NELA. Você sabe disso! Você sabe melhor do que ninguém.
PS: Seja sempre uma menina. Adultos são chatos. Eles esqueceram o essencial. Você os assusta justamente por que você os faz lembrar daquilo que eles já haviam esquecido. 
PS2: Se você puder, continue lembrando-os. Adultos precisam de doses de espontaneidade e curiosidade. Mas o que eles mais precisam mesmo é de coragem para viver o hoje.
PS3: Não pare de dançar. Estipule o horário da dança.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Viver é um ato extremo


Viver exige manha, malícia, traquejo. Exige esperteza boa, práxis e compreensão das entrelinhas que o outro nos deixa. 
Viver exige o entender das aspas não marcadas, dos pontos finais disfarçados de reticências. Captar a suspensão da melodia frásica não é fácil, imagine a pausa absoluta?! Que de pausa não tem nada!
Viver exige enfrentar o medo das contradições, obscuridades e omissões do ser humano. Na vida, só cabem embargos de declaração para o tal Poder Superior. Quem sabe Ele mostre o caminho?! E supra as lacunas do nosso viver?!
Viver exige coragem para não perder a fé no próprio homem diante de tantas desonestidades, injustiças e até maldades. Manter o coração limpo diante da constatação de que o ser humano é quase sempre absolutamente utilitarista é um ato extremo de AMOR ao próximo.
No final das contas, VIVER MESMO É UM ATO EXTREMO. O resto é "subviver", sobreviver, pseudoviver ou até mesmo não viver.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

ERA TUDO MENTIRA

ERA TUDO MENTIRA

Disseram-me que eu era burra em matemática e que meu linguajar poético era pobre. Eu deveria aceitar a mediocridade.

Disseram-me que eu era péssima em artes, em dança, música ou esportes. Eu deveria não tentar arriscar-me.

Disseram-me que eu estava fora do padrão esteticamente, que meu nariz não combinava com o meu rosto. Eu deveria transformar-me.

Disseram-me que eu era louca, que eu não poderia chorar e gritar e espernear se eu sentisse dor. Eu deveria ficar calada. Ou chorar baixíssimo como a maioria faz.


Disseram que os meus sonhos eram tolos e impossíveis. Eu deveria abrir mão deles.

Disseram que a minha sensibilidade era frescura ou vitimismo de uma moça boba sem sal e sem açúcar. Eu deveria modificar-me em ser que pouco sente ou que pelo menos mostra pouco o que sente.Pois é assim que a maioria é ou age.

Disseram-me que eu era infeliz por não seguir estatísticas, tabelas, modelos e paradigmas. Eu deveria seguir os padrões de comportamento.

Disseram-me ainda que era uma moça rude e imbecil por acreditar que não se precisava de muito para ser feliz. Eu deveria dar mais importância ao dinheiro.

ERA TUDO MENTIRA. LOROTA. BALELA.
ERA TUDO PRETEXTO PARA QUE EU NÃO FOSSE EU MESMA.

POIS AO SER EU MESMA, EU QUEBRO O “STATUS QUO”, EU NADO CONTRA A MARÉ, EU LUTO PELA JUSTIÇA, EU SONHO COM A IGUALDADE E EU REALIZO A ESPERANÇA. 
E, TUDO ISSO NÃO É PERDOÁVEL.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Teorias

Eu crio minhas próprias teorias: é verdade. 
Não suponho absolutamente nada de forma elaborada. Não conheço as ciências fundamentais. 
Contudo, sou uma observadora nata. As hipóteses surgem desta minha alma doida. 
Faço comparações. Revejo. Analiso bem. Realizo previsões que não acontecem sempre. Experimentos dão errado algumas vezes. 
Tudo isto aí são fatos quase comprovados.
 Isso não implica falta de avanço! Não e não! 
Meus embasamentos fazem parte da minha coerência interna. Não preciso expô-los. Não preciso prová-los. Ninguém precisa entender, entendeu? 
Nao vivo de regras tercerizadas.
 Por que eu me imporia tais regras, ordens e chamadas? Eu não! De jeito nenhum! 
Eu vivo para libertar-me! 
Escolha minha. Não venha por dedo na minha cara. 
Caso queira, prenda-me por desacato!
Eu simplesmente continuarei a teorizar E A REALIZAR.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Há um menino

Há um menino...
Cheio de energia
Vive no mundo da fantasia
Faz-me fazer poesias
Rimas pobres, mas com ideologias
Respiro alegrias!
Há um menino...
Cheio de amor
Tira-me a dor
Lembra-me que eu tenho muito humor
É galanteador!
Há um menino...
Brinca de roda
Deixa-me torta
Come catota
E foi esculpido a minha moda!
Há um menino...
Transformador, construtor e reparador
De corações
Digo orações

Tudo para lhe prevenir rachões!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Pretérito Imperfeito

Descobriu, então, que não sabia odiar. Apenas amar. O resto era uma indiferença esmagadora, patética, grotesca; que às vezes se travestia de certo despeito.
Deu-se conta de que a raiva que sentira era amor. Amor interrompido.
Surpreendeu-se com a resguarda de um orgulho não querido. Herança de um passado medíocre, mentiroso e frustrado. Pretérito imperfeito que ela mesma impusera-se.
Ficara com decadente aversão sim. O pavor de talvez não enxergar mais ninguém.

E talvez. Apenas porventura: o amor- antes-presente tenha se embargado pelo pretérito imperfeito (quem a entenderia?).

terça-feira, 7 de junho de 2016

ESTADO DE POSSE


Você se acha o possuidor de alguém? De onde você tirou isso? Explique-me.
Posse é Instituto de Direito, ainda que não seja um direito nem mesmo no mundo jurídico. É relação fática inter-humana com uma COISA, meu caro. NUNCA COMO UMA PESSOA.
Tratar um ser humano com ânimo de dono e agir com essa possessividade que não te diz respeito é o mesmo que tratá-lo como um ser inanimado. Cruz credo. PQP. AFE! ECA!
Não posse me manifestar contra o estado de posse que se atribuem às pessoas sem alterar o meu linguajar poético de merda.
Apossar-se de alguém? Você pode. Usar outrem? Pode também. Usufruir até o último segundo que lhe é conveniente? A sociedade permite e você, bobo da corte, segue a manada. Gozar então: à vontade! E depois pode se livrar disso tudo com cara de santo e ares de honestidade – como se não tivesse enganado ninguém. Não amar é permitido, sabia? Falar a verdade também. Mas “possessar” não é nada divino. “Possessar” é estado de merda.
Mas sabe o que você não pode fazer de forma alguma, caríssimo? Reaver uma mulher (você NÃO tem direito de sequela) e tampouco o direito de dispor de uma mulher. Ela é somente dela. Não é sua. Nunca foi, bobinho.
APRENDA: Amor é Amor. Não é estado de posse. Não é essa possessividade agressiva e gratuita. 


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Rascunhos de dias de imposição

Quem me impôs?
Que eu deveria ser excelente, excepcional e talentosa em alguma coisa?
Quem me impôs?
Que eu deveria ser boa esposa, boa namorada, boa amiga, boa filha, boa profissional e boa mãe – tudo ao mesmo tempo? Deixe-me me ser péssima e me sentir bem com a catástrofe. Adorar a condição deplorável em apenas alguns momentos!
Quem me impôs?
Que eu fosse a primeira da turma, a rainha do milho, a princesa coroada na peça teatral, a oradora, a que primeiro decorou a tabuada e a que não podia cometer erros de português?? Deixasse que eu fosse a bruxa da peça, a que não sabia fazer contas, a que falava mal, escrevia errado e era abominosa. Só de vez em quando!
Quem me impôs o equilíbrio que me desequilibrou? A teimosia em ser perfeita que me desajustou?
Fui eu! Fui eu! Fui eu! A minha própria impositora-sabotadora!
Queria eu me impor o NADA. O NADA mesmo. Queria saber aceitar a relatividade. Contentar-me com os meios termos e a mediocridade.
Mas eu vivo a me impor! Imponho-me a eternidade da honestidade e a decência do coração. Imponho-me saberes impossíveis (e não sei nada). Por que não posso ser efêmera, caduca, uma transeunte provisória? Porque não posso. Minha alma não me faz concessões. A minha essência pura me faz teimar em não aceitar o menos que tantas vezes poderia ser o MAIS.

E é assim: impondo-me tanto, encontro-me sempre a navegar contra duras correntezas. Contradição indizível a minha.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Discurso de alma de mulher



Seus ritmos, pulsações e compassos...
Suas melodias, toques, arranjos e balanços...
Seus sonhos, andanças, caminhos e estradas...
Estão todos registrados na infinitude de sua alma de mulher.

Por isso, o AMOR te implora:
Não perca seus instintos e intuições.
Não se exija de mais, nem de menos.
Não se subordine ao ego, ao orgulho, aos padrões, à cultura e sobretudo aos outros.
Não deixe que te roubem o que é seu por natureza: essa sua essência, essa sua decência, essa sua paixão sutil pelo mundo, essa meiguice brava e essa docilidade tantas vezes rude.
Enfureça-se diante de injustiças e não se cale quando o seu corpo estiver em chamas.
Saia da zona de conforto, do tédio paralisante e da rotina maçada.
Lembre-se do porquê de estar aqui e agora.
 Escape de rótulos, amordaças, cadeados, prisões, depreciações e podamentos.
Defenda-se em causa própria. Grite se quiser.
Vença pelo amor que carrega e arrasta por todos os cantos.
Seja mais do que fluente em você mesma. Pois somente você sabe as suas verdades. Ninguém mais.
ESCUTE, MULHER, O SEU DISCURSO INTERNO.

O DISCURSO DA SUA ALMA É A SUA COERÊNCIA, É O SEU AMOR-PRÓPRIO, É A SUA CURA, É O SEU DESTINO E É A SUA PRÓPRIA VIDA.

domingo, 29 de maio de 2016

Parodoxos



Perdi um sentimento, uma razão, um sentido, um coração. Perdi a vontade de acreditar, de querer. Perdi, na verdade, o próprio crer.
A COMPLEXIDADE não me permite recuperar as perdas. Ela diz que preciso ser objetiva, realista e menos sentimentalista. Diz o tempo todo. Não sei escutar outra coisa a não ser isto:
 Acorde para a vida, menina. Pare de ser tonta. Não ache que todo mundo é honesto e certo e correto. Porque isso não é a vida. Isso deveria ser a vida. Mas não é.
Concordo.
A SIMPLICIDADE vem ao meu encontro. E diz:
A vida é muito mais simples do que você imagina. Pare de sofrer com antecedência. Ansiedade faz mal. Já lhe mostrei isso e, inclusive, as consequências de ser obsessivamente preocupada. A paz está dentro de você. Ache-a.
Aceno que sim.
A RAZÃO também me chama de canto:
Menina, você já é grande, já te mostrei diversas vezes, você já errou os caminhos. As pessoas não são o que demonstram ser. Você viu tudo isso de perto, menina. Escute-me. Porque eu trouxe você de volta. Escutei você chorar, gritar e ficar com raiva do mundo. E você levantou porque me escutou.
Agradeço a RAZÃO, pois ela é a responsável por muitas das minhas conquistas.
A voz do meu CORAÇÃO me puxa para o extremo oposto. E parece uma disputa de cabo de guerra. Ela me diz: 
“Menina, nem tudo se repete. Aliás, nada é igual na vida. Você é mais forte, mais madura e muito mais esperta do que antes. Você saberá quando as pessoas tentarem de lhe puxar o tapete. Acredite em você. Volte Você já foi uma crente na vida. Ache-se”.
 Balanço a cabeça afirmativamente.
COMPLEXIDADE, SIMPLICIDADE, RAZÃO e EMOÇÃO: escutei todas vocês. Não consigo equilibrá-las!
Não posso sequer dizer que a RAZÃO tem toda razão. Vivo um paradoxo, uma dúvida. Encontro o que perdi escutando qual das vozes? Todas? Como?


Todas são coerentes e desconexas para mim: a DÚVIDA chegou ao nosso diálogo. CERTEZA, apareça você também.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Encantada



Acordei encantadíssima. E o encanto precisa ser dividido. Pode salvar o mundo. Deve salvar o mundo. Pois é o que nos resta.  E eu quero salvar o mundo. É verdade: a minha maneira. Não se trata de egocentrismo: só aprendi UM ÚNICO modo para nos salvar. Trata-se, então, de minha mais absoluta ignorância. Admito. Confesso sem medo de pecar.  Ainda assim estou aqui e agora: encantada e tentando salvar o mundo.

À Lispector





Hoje, o dia foi à Lispector: triste e feliz; sozinha e rodeada; confusa e irresoluta; ultrajante e valorosa; claudicante e decidida; racional e emotiva; doida e lúcida.
E por aí vai. De toda forma, dei um passo a frente. 

Claro que sou neurótica, não há sequer necessidade de dizer...

domingo, 15 de maio de 2016

PARA QUE VOCÊ NÃO SE ESQUEÇA

Como disse P. Antônio Vieira em algum texto que li: para não mentir não precisa ser santo, BASTA SER HONRADO.
Honra é a palavra. Honra é a ação. Honra é o sentimento.
Suposta honradez é o que mais me quebra e me faz tropeçar. Sou uma boba crente na dignidade humana. E quando vejo já fui enganada, já fui sabotada, já estou encrencada.
Talvez ser honrado te doa. Mas eu não saberei te dar outro exemplo. O que faço então para que o mundo não te atropele? Não sei.  Eu sou assim: toda remendada pelos atropelos e cheia de dignidade.
LUTAREI para que você não se esqueça.
Por mim, por você, por nós dois (meu anjinho).

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Perguntas para o AMOR


Meu amor
Por que o mundo quer ter-possuir-deter-dominar-subjugar?
Por que o ser SER deixou de existir?
Será que eu andei iludida-perdida-alienada todos esses anos?

Meu amor
Quem são os homens?
O que querem os homens?
Lutam pelo quê?

Meu amor
Explique-me por que o AMOR não pode ser os meios
Dê-me razões para que o AMOR também não seja os fins
Há justificativa para desgostar o AMOR?

Ah! Meu amor!
Que pelo menos o nosso amor não desdenhe do AMOR.
Que o nosso amor seja sempre começo-resposta para poder justificar meios e fins.
Que o nosso amor seja uma luta eterna em nome do próprio AMOR no mundo.

sábado, 23 de abril de 2016

Rima pobre barata escassa



Eu vivo em tempos fluídos líquidos solvíveis.
Um coração vale menos do que uma promoção.
Uma oração não me chega a alma doída doida.
Um pedido virou imploração-humilhação.
A rima barata pobre escassa é o que combina com a minha total falta de imaginação.
Passado não vivido mentido.
Presente medroso medíocre.
Futuro cego que sequer pode fazer planos. Planos são para mulheres certas. Incerteza é a minha face.
Compreensão? Talvez exista. Mas não a vejo. Não a sinto. Não pego mais em nenhuma mão.
Esperança passou e não ficou.
Força ainda há. Não por mim. Por outros. Pela minha missão.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Título? Não tenho o título...

Decência:
Procuro por você em todos os lugares. Acho-a fragilizada. Sem coerência e sem coesão. Dói-me.
Justiça:
Clamo por você. Defendo-a. Esbravejo. Tento pleitear lógica. Não consigo. Sinto-me um fracasso.
Dignidade:
Acredito absolutamente na sua força. Imploro. Choro. Explico. Explícito. Sou direta e indireta. Pouco importa: raros me dão ouvido.
Lealdade:
Você é a mais complicada. Quem se importa? Quem te dá valor? Não sei. A mentira se locomove com louvor.
Ando pessismista esses dias. Sinto vontade de desistir e de desacreditar.
Mas eu sei que passa. A esperança sempre renasce em mim. Ciclicamente e infinitamente. É do meu espírito.
A minha luta é essa: aguentar os dias cinzas e recobrar o colorido.