Quem
me impôs?
Que
eu deveria ser excelente, excepcional e talentosa em alguma coisa?
Quem
me impôs?
Que
eu deveria ser boa esposa, boa namorada, boa amiga, boa filha, boa profissional
e boa mãe – tudo ao mesmo tempo? Deixe-me me ser péssima e me sentir bem com a catástrofe. Adorar
a condição deplorável em apenas alguns momentos!
Quem
me impôs?
Que
eu fosse a primeira da turma, a rainha do milho, a princesa coroada na peça
teatral, a oradora, a que primeiro decorou a tabuada e a que não podia cometer erros
de português?? Deixasse que eu fosse a bruxa da peça, a que não sabia fazer contas, a que falava mal, escrevia errado e era abominosa. Só de vez em quando!
Quem
me impôs o equilíbrio que me desequilibrou? A teimosia em ser perfeita que me desajustou?
Fui
eu! Fui eu! Fui eu! A minha própria impositora-sabotadora!
Queria
eu me impor o NADA. O NADA mesmo. Queria saber aceitar a relatividade. Contentar-me
com os meios termos e a mediocridade.
Mas
eu vivo a me impor! Imponho-me a eternidade da honestidade e a decência do
coração. Imponho-me saberes impossíveis (e não sei nada). Por que não posso ser
efêmera, caduca, uma transeunte provisória? Porque não posso. Minha alma não me
faz concessões. A minha essência pura me faz teimar em não aceitar o menos que tantas
vezes poderia ser o MAIS.
E
é assim: impondo-me tanto, encontro-me sempre a navegar contra duras correntezas.
Contradição indizível a minha.
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