quinta-feira, 30 de abril de 2015

Força


A vida é um monte de trancos e barrancos, com poucas leves paradas e planícies. O negócio é ser forte para você, à sua maneira. 

A sua fortaleza, com certeza, é diferente da dos outros. Não perca tempo querendo mostrar que sua fortaleza é maior, é melhor. Ela é apenas de outro tipo, material, sentimento.
E, sim, a construção da sua força deve ser constante. Não há como se blindar do desconhecido.
Ah! Não confunda delicadeza e sensibilidade com fraqueza. Chore o quanto quiser. 
Ser forte é prosseguir, é recomeçar, é acordar pela manhã e pensar: "- Apesar de tudo, estou de pé, não descontarei a minha dor em ninguém e andarei de mãos dadas com a honestidade".

SAUDADE



A saudade é uma vírgula; um "stop" no destino; uma folga na vida; uma interrupção no tempo; um breve intervalo no espaço; um minuto sem respirar.
Assim a sinto: sempre como um hiato. É um jeito de levar a vida sem pensar que o amanhã pode não existir por um milhão de motivos - todos distintos.

Suportar a saudade somente assim. Não consigo viver pensando que, eventualmente, eu não tenha a oportunidade de por um termo final na saudade que sinto.

Saudade genuína, factual, real e palpável é mesmo o AMOR que permanece e que anda conosco para cima e para baixo. Dorme com a gente. Acorda com a gente. Ela está ali quietinha nos momentos felizes e apreensiva, nos momentos difíceis, especialmente naqueles em que você tem aquela necessidade absurda de estar perto do ser que é objeto de tamanho sentimento.

Saudade é um ritual sagrado e personalíssimo. É saudade dos olhos que somente você pode enxergar à sua maneira; do coração que somente você conhece de determinada forma. É saudade dos sentidos tato, olfato, visão, audição, gustação, que somente você pode identificar. Porque a saudade é subjetiva: cada um sente diferentemente do que e de quem sente falta.


Mate a saudade sempre que puder. Um dos piores sentimentos que podemos experimentar é a saudade de um tempo que não existiu e não existirá jamais. Não deixe para depois. NUNCA.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Clarice





Amo com todos os meus sentidos.
De todos os jeitos, trejeitos, defeitos.
Porque o AMOR é assim mesmo: sinestésico.

Amo sem argumentar, ilogicamente, aprioristicamente.
Porque o AMOR não é ciência: prescinde de constatação fática.
É lúdico, mágico.
Já foi escrito nas estrelas há muito tempo.
Amo sem retorno, resposta ou qualquer solução.
Porque o AMOR carece de contrapartidas.
É essencialmente unilateral.
Amo com a sinceridade estampada na testa e com o sorriso mais honesto que posso dar.
Porque o AMOR é merecedor da verdade escancarada. Enxerga quem pode.

Amo porque amo o AMOR, altruisticamente.
 Com a face, a alma e a coragem de quem ama de modo absoluto: sem preocupações.

O medo não está para o AMOR.
É o orgulho que anda de mãos dadas com o temor.
Nunca o AMOR.

Mudanças repentinas


 

Teimo em teimar. Verbalizo quando deveria calar e me calo quando deveria gritar ao mundo. Sou rebelião, quando deveria ser paz. paraliso quando deveria agir. E vou por impulso quando deveria raciocinar e frear. É tudo às avessas. Sabe o que é? Vivo a minha era da mais plena contradição. E tenho todo o direito de vivê-la. Quem não o tem?! Ser lógica o tempo todo é entediante. Deve ser por isso que, ainda sem querer e não saber, sou assim, de tempos em tempos: sem nexo. Não caio na monotonia dessa vida feita de rotinas. Pois que, esse desconexo nada mais é do que uma adaptação inconsciente, inteligente e evolutiva que faço para não cair na mesmice, o que pra mim é sinônimo de infelicidade. A repetição não faz bem para a cabeça. Enferruja a mente. E pensem o que quiserem a meu respeito: sou eu que respiro por mim. E ponto de exclamação. Não me venham com pontos, pontos e vírgulas e muito menos interrogações. Já está aqui, em um só parágrafo, as explicações para quem interessar: sobre as minhas mudanças repentinas.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sou eu em mim

Sou mulher, mas sou  muito MAIS menina.
Sou mãe, sou filha; seu amor, seu desamor.
Sou seu compromisso e sou seu maior contratempo. 
Sou riso, felicidade, mansidão e sou dor, tristeza, solidão.
Sou defensora e sou sua pior oposição.
Sou sensibilidade, altruísmo e compaixão. Sou explosões de raiva e sou a própria palavra impulsão. 
Sou a sua direita e, fatalmente, a sua esquerda. Começo, meio e o seu "the end".
Sou uma santa escandalosa. Um amor de menina e uma brava mulher.
Pois é, sou o paradoxo dos paradoxos, a hipérbole das hipérboles, a metáfora das metáforas. Uma metonímia, para ser mais ampla.
Posso eu tentar me encaixar em palavras. Ninguém mais. Sou eu quem habito esta pele, esta alma, este coração. Eu em mim tenho o direito a me autocapitular. Somente eu: é direito personalíssimo. Absoluto. Sem exceção à regra. 
Preste atenção:
Não me defina. Extrapolo definições: sou de verdade e não uma mentira inventada por um mundo fanático e torto.
Não me espie de longe. Olhe de perto, se quiser. Fale no meu ouvido. Ouça a minha alma. Seja claro.
Sinta em mim, mulher/menina, a fortaleza da minha queda; a rudeza do meu choro; a elegância da minha descompostura; a sutileza das minhas paixões; o amor do meu grito mudo.
Aceite - caso consiga. 
OU
Deixe-me em paz.
Mediocriodade de espírito não me convém. Alma cinza me faz fugir. Coração frio é defeito inaceitável. E obscuridade não tem recurso na minha vida.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Como escolher quando não há escolha.



Como escolher:
entre o roto e o esfarrapado?
entre o sujo e o mal lavado?
entre o corrupto e o desonesto?
entre o velho e o arcaico?
entre o perverso e o infame?
entre o custoso e o espinhoso?
entre a política do café com leite e a ditadura?
Há escolha válida, justa, apropriada, veraz?!
Pior: existe sensatez quando não tenho possibilidade, alternativa, vez, caminho, opção, vicissitude?
Desculpem-me. Não lavei minhas mãos e tenho certeza absoluta disso.
Não vou escolher. Não posso escolher entre o "menos pior". Isto não existe na Língua Portuguesa e nem na vida real.
Não há qualquer discernimento nestas escolhas (para quem pensa como eu).
É contra meu estado de espírito escolher entre iguais. Iguais são iguais e ponto final.

Andréa Buschinelli

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Atingida por uma ESTRELA




Ela queria ser atingida por uma estrela.

Quando atravessava as ruas, pensava que queria ser atropelada por uma estrela como se é atropelada por um carro. Mas os carros nem a viam como deveriam. Parece que ela é neutra externamente.

E também se a vissem,  a seu modo, não fariam  isso. Todo mundo tem medo de tudo, imaginem: atropelá - la?

Não sei se ela é tão neutra como pensa. Porque seus brincos de pérola falsos parecem de verdade e não permitiriam que ela fosse atropelada. Nem seu rosto de menina-mulher, quase triste, quase feliz. Nem Deus permitiria tamanho horror, se Ele existe.

Não poderia ser um raio. Teria que ser uma estrela. Porque estrelas são bonitas, brilhantes, não dão choque.
Dizem que quando estamos vendo as estrelas, elas já podem ter morrido.

Dizem também que algumas estrelas se contraem, se encolhem e viram um buraco negro. Que triste isso.

Mas há quem diga que quando se fragmentam, dão origem a várias outras estrelinhas.

É por uma dessas estrelas que ela pedia para ser atingida. Bem no meio do peito. Um estrondo. Ela cairia. Levantaria em seguida. E teria um coração estrelado. Sairia cantando como uma doida varrida sem se importar.

 Ela realmente não se importa com o que acham dela.

Ela se importa com outras coisas que não me cabe falar. Falar sobre ela não combina com ela. Isso é certo.

Coração estrelado chegue até a ela, do jeito que for. São SÚPLICAS de um AMOR. Desse jeito, tristeza nenhuma teria espaço para ocupar seu coração. Mágoa nenhuma a lembraria dos tempos perdidos, das pessoas perdidas. Não haveria lugar para a mágoa e nem para a desesperança nas pessoas que conhece e que a rodeiam.

Desesperança nas pessoas que conhece e a rodeiam. Ela merece? Este AMOR diz que não veemente. Mas quem é ele, que nem ao menos mostra sua cara?  Não tem moral, portanto.
Mas este AMOR fala, não se cala. Ainda que não se mostre. É seu dever salvá-la.

Buracos negros ela já tem. Mas não no coração. Na sua própria história. Na sua vida. Pelo jeito desajeitado que ela acha que nasceu: sensível, empática, simples em todos os meios e sentidos.

Desacreditada por esse mundo-cão. Ela é.

Ela quer um coração somente estrelado. Sem espaço para mais nada, a não ser pedaços de estrelas. Esses pedacinhos sim poderiam se fragmentar e virar milhões de estrelinhas, que ela doaria com muito prazer a quem precisasse. AFIRMAÇOES de um AMOR, que a conhece, que a estima, que sabe quem ela é de corpo e alma.
QUE se inspira completamente e absolutamente nela.
08 de setembro de 2014
Andréa Buschinelli