segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Atingida por uma ESTRELA




Ela queria ser atingida por uma estrela.

Quando atravessava as ruas, pensava que queria ser atropelada por uma estrela como se é atropelada por um carro. Mas os carros nem a viam como deveriam. Parece que ela é neutra externamente.

E também se a vissem,  a seu modo, não fariam  isso. Todo mundo tem medo de tudo, imaginem: atropelá - la?

Não sei se ela é tão neutra como pensa. Porque seus brincos de pérola falsos parecem de verdade e não permitiriam que ela fosse atropelada. Nem seu rosto de menina-mulher, quase triste, quase feliz. Nem Deus permitiria tamanho horror, se Ele existe.

Não poderia ser um raio. Teria que ser uma estrela. Porque estrelas são bonitas, brilhantes, não dão choque.
Dizem que quando estamos vendo as estrelas, elas já podem ter morrido.

Dizem também que algumas estrelas se contraem, se encolhem e viram um buraco negro. Que triste isso.

Mas há quem diga que quando se fragmentam, dão origem a várias outras estrelinhas.

É por uma dessas estrelas que ela pedia para ser atingida. Bem no meio do peito. Um estrondo. Ela cairia. Levantaria em seguida. E teria um coração estrelado. Sairia cantando como uma doida varrida sem se importar.

 Ela realmente não se importa com o que acham dela.

Ela se importa com outras coisas que não me cabe falar. Falar sobre ela não combina com ela. Isso é certo.

Coração estrelado chegue até a ela, do jeito que for. São SÚPLICAS de um AMOR. Desse jeito, tristeza nenhuma teria espaço para ocupar seu coração. Mágoa nenhuma a lembraria dos tempos perdidos, das pessoas perdidas. Não haveria lugar para a mágoa e nem para a desesperança nas pessoas que conhece e que a rodeiam.

Desesperança nas pessoas que conhece e a rodeiam. Ela merece? Este AMOR diz que não veemente. Mas quem é ele, que nem ao menos mostra sua cara?  Não tem moral, portanto.
Mas este AMOR fala, não se cala. Ainda que não se mostre. É seu dever salvá-la.

Buracos negros ela já tem. Mas não no coração. Na sua própria história. Na sua vida. Pelo jeito desajeitado que ela acha que nasceu: sensível, empática, simples em todos os meios e sentidos.

Desacreditada por esse mundo-cão. Ela é.

Ela quer um coração somente estrelado. Sem espaço para mais nada, a não ser pedaços de estrelas. Esses pedacinhos sim poderiam se fragmentar e virar milhões de estrelinhas, que ela doaria com muito prazer a quem precisasse. AFIRMAÇOES de um AMOR, que a conhece, que a estima, que sabe quem ela é de corpo e alma.
QUE se inspira completamente e absolutamente nela.
08 de setembro de 2014
Andréa Buschinelli

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