terça-feira, 11 de novembro de 2014

Clarice





Amo com todos os meus sentidos.
De todos os jeitos, trejeitos, defeitos.
Porque o AMOR é assim mesmo: sinestésico.

Amo sem argumentar, ilogicamente, aprioristicamente.
Porque o AMOR não é ciência: prescinde de constatação fática.
É lúdico, mágico.
Já foi escrito nas estrelas há muito tempo.
Amo sem retorno, resposta ou qualquer solução.
Porque o AMOR carece de contrapartidas.
É essencialmente unilateral.
Amo com a sinceridade estampada na testa e com o sorriso mais honesto que posso dar.
Porque o AMOR é merecedor da verdade escancarada. Enxerga quem pode.

Amo porque amo o AMOR, altruisticamente.
 Com a face, a alma e a coragem de quem ama de modo absoluto: sem preocupações.

O medo não está para o AMOR.
É o orgulho que anda de mãos dadas com o temor.
Nunca o AMOR.

Mudanças repentinas


 

Teimo em teimar. Verbalizo quando deveria calar e me calo quando deveria gritar ao mundo. Sou rebelião, quando deveria ser paz. paraliso quando deveria agir. E vou por impulso quando deveria raciocinar e frear. É tudo às avessas. Sabe o que é? Vivo a minha era da mais plena contradição. E tenho todo o direito de vivê-la. Quem não o tem?! Ser lógica o tempo todo é entediante. Deve ser por isso que, ainda sem querer e não saber, sou assim, de tempos em tempos: sem nexo. Não caio na monotonia dessa vida feita de rotinas. Pois que, esse desconexo nada mais é do que uma adaptação inconsciente, inteligente e evolutiva que faço para não cair na mesmice, o que pra mim é sinônimo de infelicidade. A repetição não faz bem para a cabeça. Enferruja a mente. E pensem o que quiserem a meu respeito: sou eu que respiro por mim. E ponto de exclamação. Não me venham com pontos, pontos e vírgulas e muito menos interrogações. Já está aqui, em um só parágrafo, as explicações para quem interessar: sobre as minhas mudanças repentinas.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sou eu em mim

Sou mulher, mas sou  muito MAIS menina.
Sou mãe, sou filha; seu amor, seu desamor.
Sou seu compromisso e sou seu maior contratempo. 
Sou riso, felicidade, mansidão e sou dor, tristeza, solidão.
Sou defensora e sou sua pior oposição.
Sou sensibilidade, altruísmo e compaixão. Sou explosões de raiva e sou a própria palavra impulsão. 
Sou a sua direita e, fatalmente, a sua esquerda. Começo, meio e o seu "the end".
Sou uma santa escandalosa. Um amor de menina e uma brava mulher.
Pois é, sou o paradoxo dos paradoxos, a hipérbole das hipérboles, a metáfora das metáforas. Uma metonímia, para ser mais ampla.
Posso eu tentar me encaixar em palavras. Ninguém mais. Sou eu quem habito esta pele, esta alma, este coração. Eu em mim tenho o direito a me autocapitular. Somente eu: é direito personalíssimo. Absoluto. Sem exceção à regra. 
Preste atenção:
Não me defina. Extrapolo definições: sou de verdade e não uma mentira inventada por um mundo fanático e torto.
Não me espie de longe. Olhe de perto, se quiser. Fale no meu ouvido. Ouça a minha alma. Seja claro.
Sinta em mim, mulher/menina, a fortaleza da minha queda; a rudeza do meu choro; a elegância da minha descompostura; a sutileza das minhas paixões; o amor do meu grito mudo.
Aceite - caso consiga. 
OU
Deixe-me em paz.
Mediocriodade de espírito não me convém. Alma cinza me faz fugir. Coração frio é defeito inaceitável. E obscuridade não tem recurso na minha vida.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Como escolher quando não há escolha.



Como escolher:
entre o roto e o esfarrapado?
entre o sujo e o mal lavado?
entre o corrupto e o desonesto?
entre o velho e o arcaico?
entre o perverso e o infame?
entre o custoso e o espinhoso?
entre a política do café com leite e a ditadura?
Há escolha válida, justa, apropriada, veraz?!
Pior: existe sensatez quando não tenho possibilidade, alternativa, vez, caminho, opção, vicissitude?
Desculpem-me. Não lavei minhas mãos e tenho certeza absoluta disso.
Não vou escolher. Não posso escolher entre o "menos pior". Isto não existe na Língua Portuguesa e nem na vida real.
Não há qualquer discernimento nestas escolhas (para quem pensa como eu).
É contra meu estado de espírito escolher entre iguais. Iguais são iguais e ponto final.

Andréa Buschinelli

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Atingida por uma ESTRELA




Ela queria ser atingida por uma estrela.

Quando atravessava as ruas, pensava que queria ser atropelada por uma estrela como se é atropelada por um carro. Mas os carros nem a viam como deveriam. Parece que ela é neutra externamente.

E também se a vissem,  a seu modo, não fariam  isso. Todo mundo tem medo de tudo, imaginem: atropelá - la?

Não sei se ela é tão neutra como pensa. Porque seus brincos de pérola falsos parecem de verdade e não permitiriam que ela fosse atropelada. Nem seu rosto de menina-mulher, quase triste, quase feliz. Nem Deus permitiria tamanho horror, se Ele existe.

Não poderia ser um raio. Teria que ser uma estrela. Porque estrelas são bonitas, brilhantes, não dão choque.
Dizem que quando estamos vendo as estrelas, elas já podem ter morrido.

Dizem também que algumas estrelas se contraem, se encolhem e viram um buraco negro. Que triste isso.

Mas há quem diga que quando se fragmentam, dão origem a várias outras estrelinhas.

É por uma dessas estrelas que ela pedia para ser atingida. Bem no meio do peito. Um estrondo. Ela cairia. Levantaria em seguida. E teria um coração estrelado. Sairia cantando como uma doida varrida sem se importar.

 Ela realmente não se importa com o que acham dela.

Ela se importa com outras coisas que não me cabe falar. Falar sobre ela não combina com ela. Isso é certo.

Coração estrelado chegue até a ela, do jeito que for. São SÚPLICAS de um AMOR. Desse jeito, tristeza nenhuma teria espaço para ocupar seu coração. Mágoa nenhuma a lembraria dos tempos perdidos, das pessoas perdidas. Não haveria lugar para a mágoa e nem para a desesperança nas pessoas que conhece e que a rodeiam.

Desesperança nas pessoas que conhece e a rodeiam. Ela merece? Este AMOR diz que não veemente. Mas quem é ele, que nem ao menos mostra sua cara?  Não tem moral, portanto.
Mas este AMOR fala, não se cala. Ainda que não se mostre. É seu dever salvá-la.

Buracos negros ela já tem. Mas não no coração. Na sua própria história. Na sua vida. Pelo jeito desajeitado que ela acha que nasceu: sensível, empática, simples em todos os meios e sentidos.

Desacreditada por esse mundo-cão. Ela é.

Ela quer um coração somente estrelado. Sem espaço para mais nada, a não ser pedaços de estrelas. Esses pedacinhos sim poderiam se fragmentar e virar milhões de estrelinhas, que ela doaria com muito prazer a quem precisasse. AFIRMAÇOES de um AMOR, que a conhece, que a estima, que sabe quem ela é de corpo e alma.
QUE se inspira completamente e absolutamente nela.
08 de setembro de 2014
Andréa Buschinelli

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Procura-se



Procura-se alguém que me ache linda mesmo quando eu estiver usando pijamas de bichinhos, moletons surrados ou chinelos havaianas.

Procura-se alguém que me ache linda quando meus olhos estiverem fundos e eu estiver cheia de olheiras de tanto chorar diante dos meus fracassos, erros e dores emocionais.

Procura-se alguém que me ache linda nas minhas crises de enxaqueca, de depressão, de medo generalizado, no escuro ou na claridade; pouco importa: que me ache linda apenas.

Procura-se alguém que me ache linda mesmo nos momentos em que eu me assemelhe mais com um nécessaire ambulante de remédios do que com uma pessoa normal.

Procura-se alguém que me ache linda de tranças ou de coque porque não tive tempo ou vontade de me arrumar.

Procura-se alguém que me ache linda sem saltos, sem roupas de grife e sem estilo definido, porque não tenho mais paciência para essas coisas.

Procura-se alguém que me ache linda nas minhas crises publicas e súbitas de chilique agudo. Que me ache linda dando vexame e defendo o que eu acho justo, correto e honesto no momento. Mesmo que depois eu me arrependa, porque eu erro e erro muito.

Procura-se alguém que me enxergue de dentro pra fora, sem maquiagem e com a cara lavada. E que não se assuste com o tamanho da minha ansiedade e da minha sensibilidade. Procura-se alguém que me ache linda assim: sem julgamentos. De qualquer jeito e em todo e qualquer momento.

Um dia daqueles


 
 
O domínio do mundo são minhas palavras. Não, isso é mentira. Eu não sou nem um sopro de vida. Sou uma respiração apertada de um asmático, a respiração insuficiente de um doente. E escrever não me basta. Nada que eu faço tem me bastado. Nem a minha escrita sagrada. Escrever era como se eu vivesse em Passárgada.  Era viver em outro mundo que não o meu. Porque aqui nesse mundo, eu não estou feliz. E lá a existência era uma aventura. O escrever me dava liberdade, eu poderia ser qualquer uma, ter um grande amor, muitos amigos, estar numa festa como uma princesa criança, numa praia, lotada de coqueiros, com o sol tocando a minha pele daquele jeito leve que somente o sol consegue tocar. Mas estou presa na minha cama e com algemas. Aprisionada. Sufocada pela dor do mundo. A minha própria dor. A dor de outros. Todas as dores do mundo me doem o tempo inteiro. Tenho um cérebro morto e um coração, vermelho escarlate, vivo de dor. A dor que sufoca. Que dor. Quanta dor. Ajuda? Não consigo. Ainda tenho bilhões de lágrimas tristes aqui dentro dessa alma quase morta e desse corpo vivo. Aqui está a minha última força: escrever para me esquecer desta dor por um segundo e lembrá-la no segundo posterior. Não procuro mais respostas para maldades gratuitas. Não faço perguntas, com exceção de uma: por que este mundo é tão ao contrario? Embora eu saiba que ninguém jamais poderá me dar essa resposta de forma correta, eu a refaço por vários dias. Se Deus existe, só Ele sabe. Mas ainda assim, não me daria a resposta. Eu não sou privilegiada. Não sou mais do que ninguém. Ele me trata igual a todos. E todos ficam sem resposta. Escrevo quase sem fé. Ela está escorregando das minhas mãos e eu tento a todo custo não deixá-la ir. E por isso que tenho desespero: vou-me embora para minha cama, porque não tenho passagens para Passárgada. Não sou amiga de nenhum rei.
Andréa Buschinelli - 07 de julho de 2014

Direito e Poesia - No campo amoroso!

 
Aplicando Jakobs e sua teoria do direito penal do terror no campo amoroso.

Vinicius de Moraes que me desculpe (e não as feias), mas beleza não é fundamental! Do que adianta a beleza? Não sou hipócrita: a beleza abre muitas portas, mas não as mantêm abertas por muito tempo, caso falte conteúdo.

 É fácil se apaixonar pelo o que é belo. Difícil é manter a porta aberta, e, consequentemente a paixão. E
essa acaba rapidinho quando não temos real admiração pelo outro.

Por isso, hoje em dia, rebaixo a beleza! Só olho para ela posteriormente. Óbvio que preciso sentir a tal química. Mas se a sinto, passo a prestar atenção no que é preliminar (requisitos mais do que necessários): nos que os olhos dizem, na sinceridade que o outro demonstra, na bondade perceptível pelas palavras e gestos. Mas, principalmente, analiso detalhadamente a forma como o cara trata os outros. Essa regra é básica: se ele é arrogante com os outros, um dia será com você; se é  fdp com alguma mulher, um dia será com você. Não nos enganemos! Mulher tem esse defeito de achar que com ela vai ser diferente! Mas não vai. Ninguém muda a essência de ninguém! É esforço em vão. Tempo perdido. E sofrimento na certa.

Não que alguns caras bons não passem por uma fase "cachorro". Eles passam sim! Até porque nós mulheres também passamos pela fase "coração de gelo". Basta se envolver com um imbecil. Preste atenção nos sinais. Analise a vida do cara, os amigos, a relação com a família. Ouça o que ele diz nas entrelinhas. Fique atenta. E aí, você vai perceber se o cara é realmente um fdp sem solução ou se apenas está passando pela fase "cachorro". Caso ele se encaixe na primeira opção, dê um tchau de longe para não cair na tentação.  Contudo, entretanto, todavia: se ele se encaixar na segunda opção, por que não dar uma chance?! Pode valer a pena.

Aprendi cedo a lição. Se o cara não passar pelo juízo de admissibilidade, não entro no mérito, já estou fora. Tiro ele de circulação sem julgamento do mérito mesmo. Ah! E sem direito a qualquer nova tentativa, a ampla defesa e tampouco ao contraditório. Caras assim não são merecedores de uma dupla análise. É questão de justiça!

Na vida amorosa, o que vale é o Direito Penal do Inimigo (rs! que me entendam, meus amigos juristas). Teoria de Jakobs. Nada de defesa, nada de recurso. Até porque aqueles reprovados no juízo de admissibilidade, não estão incluídos na categoria de "homens". Portanto, não merecem tratamento igualitário. A eles, se aplicam outras regras. É o direito penal do terror no campo amoroso! A nota característica do inimigo, quer dizer, do "cachorro" é a imprevisibilidade no sentido negativo.

A idéia é a seguinte: se o cara não tem qualquer consideração, se ele não conhece nenhuma das regras de respeito a nós mulheres, ele não é sequer um homem de segunda categoria. Ele simplesmente não é um HOMEM e por isso, as penas a eles impostas são muito mais severas. Sem piedade!

Esses caras são ocos. E eu, simplesmente, não me contento com o que é vazio, escasso, sem graça, por pura ausência de vida. Eu não. Sou rosa, roxa, vermelha, azul, amarela, todas essas cores que representam felicidade. Não permito, melhor dizendo, eu proíbo que me transformem em cinza! E é isso que esses caras fazem.

Eu quero muito da vida, entendeu?! Eu quero a verdade, o sentimento. E caso eu não encontre isso, já aplico Jakobs, resolvo a situação antes que o sofrimento bata a minha porta e evito que o meu coração vire uma pedra de gelo.

PS: aos homens de primeira categoria:  esse texto NÃO é pra vocês!
 
Andréa Buschinelli - maio/2011

sexta-feira, 28 de março de 2014

Razão Simples



 Entendo o que você sente: essa vontade toda sua de querer descontar no mundo. Gritos, berros, choros. Mas a dor é sua, somente sua. Essa história que contam por aí que a gente pode dividir as dores não é bem verdade.
 
Sentir dor é necessário, é comum a todos nós. Você precisa passar por isso. Precisa entender que a vida é uma sucessão de problemas e que a gente deve ser feliz nos intervalos dos problemas. Não é pessimismo. É a vida real para a maioria de nós. E não venha me dizer que os seus problemas são maiores do que o das outras pessoas. Você não é egoísta, embora ande agindo como tal.
 
Poxa, você já é grande. Eu não deveria ter que lhe falar coisas que você já ensinou a muita gente. Não consigo ver você levar a dor por onde quer que você vá. Porque, mesmo nas situações mais difíceis, você sempre levou amor.
 
Não propague sentimentos ruins, que não são seus, como se você estivesse derrubando dominós. Não se contamine com a rejeição que você acha que o mundo sente por você. Seja dura na queda. 
 
Não queira mal a quem você acha que te fez mal. As pessoas agem como podem. Lembre-se disso, por favor. Cada um só dá exatamente o que tem. Nada mais e nada menos. Não adianta cobrar sentimentos. Sentimentos simplesmente acontecem. Não são mercadorias e não podem ser exigidos.
 
Não desconte em Deus. Ele não tem a nada a ver com isso. Também não diga que é falta de sorte, que o mundo tem sido cruel e mesquinho com você ou qualquer infantilidade desse tipo. A gente está aqui para aguentar os tombos, ainda que a trancos e barrancos. O porquê eu não sei e ninguém sabe. A explicação está lá em cima. 
 
Pare com os julgamentos. Porque você tem se esquecido de julgar a si. Enquanto você não conseguir julgar os seus próprios atos não conseguirá conviver bem com as decepções. Entende - lás, eu não sei se você vai. 
 
Pare de transformar em munição toda a tristeza que você sente. Magoar os outros não vai diminuir sua dor. Você sabe disso.
 
Uma hora ou outra, rejeição, tristeza e decepção passam pelas nossas vidas. Não dá para fugir disso. Não há mesmo escapatória. Portanto, o que a gente tem que ter é coragem para a vida.
 
Não se subestime e não deixe que a tristeza que você sente agora lhe transforme numa pessoa que você nunca foi e nunca quis ser. Sinta a tristeza. Chore se for preciso. Peça ajuda a Deus. Deite no colo de quem lhe ama. E quando você perceber que está deixando a justiça de lado, reconheça, volte atrás. Peça desculpas. Não há qualquer problema nisso.
 
A felicidade está apenas esperando você fazer a sua parte. E eu estou aqui torcendo para que você sinta a plenitude o mais rápido possível. É verdade. Não estou inventando nada disso. A dor vai embora e a felicidade chegará sim até você de novo e aos poucos.
 
Por incrível que pareça a dor tem também o poder de nos tornar mais compreensivos.
 
A escolha é sua, como já foi minha um dia também. Como será por muitas vezes enquanto vivermos.
 
E há uma razão simples para eu lhe dizer tudo isso: AMOR.
 
Tenho absoluta certeza de que você me diria o mesmo. Aliás, me dirá se eu precisar.

AMOR EM MAIÚSCULO








Eu amo você de qualquer jeito. Sem juízo e sem tino. Como uma doida varrida.
Você pode não me amar e eu lhe amarei ainda assim. Pode ter vergonha de mim, eu não ligo e nunca ligarei para isso.
Amo você como nunca amei nada, nem ninguém e como nunca vou amar. Essa certeza é absoluta. Talvez, a única que eu tenha na vida.
Amo você quando você está feliz e ainda mais quando esta triste e precisa de mim.
Você pode fazer qualquer coisa ruim e eu lhe amarei : pode matar, roubar, virar um viciado.
Eu estarei lá. E amarei mais e mais.
Lógico que não é isso que espero de você. Não por mim. Mas por você mesmo. Porque se você virar essas coisas todas, será uma pessoa infeliz  e eu quero que toda a felicidade do mundo caiba em você. Tiro-a de mim e dou a você.
Amo você do dedinho do pé até o ultimo fio de cabelo e conheço todas as partes do seu corpo.
Você pode largar a faculdade, desistir de estudar, virar hippie, surfista. Eu não me importo. Eu só me importo com uma coisa: que você seja feliz.
Impossível não te amar aconteça o que acontecer, porque é um amor que grudou na minha alma, que faz parte de quem eu sou. Eu sou um pouco de você. E você pode não ter nada de mim. De que me importa? Não me importa. É amor de qualquer jeito, por qualquer ângulo, a qualquer distancia. É amor que não existe. Que não se mede, porque não tem tamanho ou dimensão. Não é o amor de qualquer mãe.
É o MEU AMOR POR VOCÊ, LUCAS.

sábado, 22 de março de 2014

Desculpas sinceras

Desculpas Sinceras



Eu desculpo você sinceramente e definitivamente: para nunca mais ser e para nunca mais doer em nenhum de nós. Desculpo ainda que você nunca tenha me pedido desculpas. São desculpas inquestionáveis, independentes, não sujeitas a termo, condição ou encargo.

Desculpo o fato de você ter ido embora sem querer passar pelo adeus, num domingo nublado e chuvoso: dia que eu detesto desde pequena. Desculpo por você ter mentido, por você não ter olhado nos meus olhos e ter me dito a verdade que eu precisava escutar. Desculpo também por tudo isso ter acontecido a poucos dias do natal e por você ter feitos planos, sem que eu soubesse e sem que eu tivesse a oportunidade de também fazê-los.

Desculpo pelas promessas quebradas, pelas palavras não ditas. Desculpo a sua ausência e a sua falta de sensatez quando eu precisei, de verdade, de você. Desculpo por você ter me julgado, por ter me criticado, por não ter me compreendido. Desculpo a sua falta de fé.

Também lhe  desculpo pelo depois. Pelas noites que não dormi, pelos dias e meses que perdi. Pelas festas que não fui, pelos telefonemas que não atendi, pelos amigos que magoei, ainda que indiretamente, pelos amores que deixei de conhecer, pelas viagens que deixei de fazer. Desculpo você pelos quilos que perdi, pela minha austeridade e intransigência perante o mundo. Desculpo-te por ter me feito virar pedra até mesmo com a minha família e pelas consequências disso tudo na minha vida.

Desculpo você pelas flores, mensagens e e-mails esperançosos que você me enviou, mas, que na verdade, nada mais eram do que uma forma mesquinha de me manter sempre presa a você. Desculpo porque sei que você teve medo. Medo de que eu fosse embora da sua vida. Medo de se arrepender por isso. Eu te desculpo, de coração. E também entendo.

Desculpo você, principalmente, por você não ter feito a única coisa que pedi: dizer que o sentimento acabou. Você nunca fez isso. E olha que eu implorei muitas vezes por isso, porque eu queria ser livre e você não deixou. Desculpo você por isso, por ter feito eu sentir a fraqueza e uma dependência tosca, porque depois eu me tornei forte. E fui eu quem tomou a coragem e acabou por dizer as palavras que precisavam ser ditas: EU NÃO AMO MAIS VOCÊ.

Desculpo ainda pela resposta injusta que recebi, pelo mau julgamento que você fez a meu respeito, achando que o que eu queria, era, na verdade, magoá-lo ou esfregar na sua cara que eu estava feliz sem você. Não sou isso e você sabe muito bem o que carrego no coração.


A verdade é que eu cumpri uma promessa feita por nós dois há tempos: a de zelar pela honestidade, pela verdade e pela amizade. Fiz isso, ainda que eu tenha sido a parte fraca na história. Porque eu tomei fôlego e soube recomeçar.

Desculpo você, sobretudo, porque confio em Deus e sei que Ele quis assim. Desejo a sua felicidade, como desejo a felicidade das minhas irmãs. Por isso, eu te desculpo irrevogavelmente e incondicionalmente.


Desculpo por mim e por você.

Quanto a mim, sei que aprendi muito com tudo isso. Aprendi a perdoar, sem esperar a contrapartida, a amar sem o devido retorno, a compreender, mesmo sendo uma incompreendida.

Preciso dizer: a vida nunca foi tão clara depois de você. Aprendi a viver: e  a ser quem sou sem culpas.

Portanto, além de ter te desculpado você sinceramente e expressamente, aproveito a oportunidade para também pedir desculpas (embora eu já o tenha feito inúmeras vezes) e para dizer: obrigado pelo aprendizado.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Minimamente AMOR

 
 

Há algumas noites, numa daquelas conversas que sempre tenho comigo antes da luta que é adormecer, cheguei a uma conclusão pessoal sobre o sentimento que denominamos de AMOR. É verdade, eu penso muito no AMOR. Porque para mim, não existe sentimento mais edificante e qualificado do que este. Eu nunca compreendi e nunca vou compreender pessoas que não priorizam tal sentimento.

Se o AMOR não estiver em primeiro lugar, não vejo graça na vida. Tudo bem. Pode ser que eu seja emotiva demais. Mas se a gente parar para pensar sobre o assunto, o que eu digo começa a fazer sentido. Dou alguns exemplos. Quando a gente ficar velhinho, ao que daremos valor? Pensaremos no dinheiro que acumulamos, na carreira que tivemos, nas pessoas importantes que conhecemos? Eu acho que não. Pensaremos nos amigos que fizemos e ainda temos, nos nossos filhos, nos amores reais que conquistamos. Ou seja, uma hora ou outra, o AMOR será prioridade para nós, a não ser que a gente morra antes de ter tempo de se dar conta disso.

Deve ser bem triste: passar pela vida sem ter noção do AMOR. Eu não quero ficar velhinha, nem quero perder alguém que amo para saber disso. Aos vinte e poucos anos, eu tenho plena consciência de que o AMOR é minha prioridade. Não se compara a nada. Sei que muitas pessoas que vivem perto de mim, não entendem esse meu modo de viver. Eu já escutei demais:

“menina, você é muito inteligente para estar onde estar.” 

           A verdade, entretanto, é que eu não consigo usar bem a minha inteligência se eu não sentir o AMOR.  Não consigo e nem quero. Falem o que quiserem a meu respeito. Mas o AMOR sempre será prioridade. Não vão me convencer do contrário. É isso que sou, desde pequena.

Divaguei demais. Comecei este texto para falar da conclusão a qual cheguei sobre o que é o AMOR.  Melhor dizendo, quais são as características mínimas do sentimento para ser chamado de AMOR.

AMOR, com letra maiúscula, não pode ser comparado com um simples adorar, não é um gostar, não é um apaixonar-se. É muito mais do que isso. Sim, eu sei que o AMOR é subjetivo e também sei que é impossível conceituá-lo em todos os seus aspectos. O AMOR não é unívoco.  Apesar disso, como disse, conclui que o AMOR para ser AMOR é minimamente revestido de algumas características. Caso contrário, não pode ser AMOR. É qualquer outro sentimento, mas não AMOR.

Dizer “eu te amo” é bem simples.  Aliás, a tal oração virou quase sinônimo de “eu te adoro” ou “eu gosto de você” para a maioria de nós. Não que adorar não seja um sentimento bonito. Lógico que é. Adorar e gostar de alguém envolve respeito, admiração, carinho, o querer bem. Pelo menos para mim, porque quando o assunto é sentimento, as opiniões são bem diversas.

Ah! O AMOR! Já tentei explicar o que ele significa muitas e muitas vezes. Mas os meus textos sempre ficaram ocos. Sem graça mesmo. Não passam de clichês. Por isso, eu fiquei pensando nas características mínimas do tal sentimento.

Na realidade, eu queria saber colocar no papel o que eu sinto no coração. Ou, ao menos, eu gostaria de poder falar o que o AMOR significa para mim, como ele me transforma, me transborda, me tira o juízo, o tino e faz com que eu esqueça de que o mundo é mundo. Mas isso é mesmo uma missão impossível.

Quem me dera viver a vida só de AMOR. Se AMAR fosse uma profissão, com certeza, eu estaria incluída na lista das mais milionárias do mundo. Não que eu seja pretensiosa. Mas se há uma coisa que eu sei fazer bem na vida, esta coisa é amar. É óbvio que, socialmente, eu regrido, porque não sei fazer nada por muito tempo sem colocar AMOR. Na escala dos bem sucedidos dos dias atuais, eu estou mesmo é lá embaixo. Mas isso não vem ao caso. Olhem vocês, estou divagando de novo. Não comecei a escrever para falar sobre mim. A escrita me veio por outro motivo: quero, ao menos, tentar colocar no papel os requisitos mínimos desse palavrão que é o AMOR.

Vejam bem: o AMOR sempre envolve o bem, de forma bem objetiva. É querer que o ser amado seja tão feliz quanto ele possa ser. É ver aquele sorriso grande, sincero, honesto na face do outro e se sentir tremendamente recompensado por Deus. É fazer por quem você ama mais do que você gostaria que fizessem por você.

É mínimo do AMOR: a coragem. A coragem para ficar junto, apesar de qualquer circunstância: na saúde e, principalmente, na doença; no amor e na dor; na fartura ou na pobreza; nos tempos fáceis e, especialmente, nos tempos difíceis. É enfrentar juntíssimos situações que parecem ser impossíveis aos nossos olhos e aos olhos dos outros. Aliás, é não se importar com que o resto do mundo pensa. Porque o AMOR sempre recompensa. Sempre vale mais a pena do que o orgulho e o medo.

É dividir tudo o que acontece de ruim nas nossas vidas. Porque não dá para ver o outro sofrendo e não oferecer o colo, o ombro, o coração, ou melhor, o corpo todo. É ter compaixão e paciência.

É aceitar os defeitos e até achá-los charmosos de vez em quando, ainda que sejam irritantes. Porque ninguém ama somente pelas qualidades. Ama-se por inteiro, por completo: do dedo do pé até o último fio de cabelo, ainda que o dedo seja torto e o cabelo nem um pouco sedoso. Afinal, o que importam essas coisas?! Diante do AMOR, o resto é mesmo resto.

É ser o melhor amigo e isso dispensa qualquer explanação.

É ser redundante. É viver de metáforas, de hipérboles. É ser brega também. Quem se importa com isso quando se ama?!

E por último (que me desculpem os ateus): é envolver Deus, porque somente com a graça e a benção divina é que o ser humano é capaz de amar, ainda que minimamente. Porque eu digo: sempre dá para amar mais, para se fazer mais pelo ser amado. Amar não comporta limitações universais.

Portanto; bondade, coragem, compaixão, aceitação e graça divina; formam o que eu chamo de MINIMAMENTE AMOR.

 Sinta-se sortudo se você já viveu ou vive isso. Não é todo mundo que aceita ser agraciado dessa maneira. Não é todo mundo que abre mão da correria do dia a dia para viver o AMOR. São poucos os que não preferem o dinheiro, a fama e a carreira ao AMOR, este sentimento que só pode ser divino.