quinta-feira, 16 de julho de 2015

Carta para Vida



Vida,
 Surpreenda-me. Arrase-me. Arraste-me para os confins da liberdade plena. Seja ousada. 
Alimente minha agudeza de espírito e a minha coragem de amar sem  contrapartidas.
Não quero um pacto pacato, muito mesmo tácito, com a mediocridade de viver ou de ser. 
Não quero a rotina, o cotidiano ou as crônicas encomendadas de um jornal. 
Quero a novidade de todos os minutos, a compensação de minha fome de você e a compreensão de meu AMOR.
Não pense, Vida, que sou uma passiva. E a ️espero passar assim, de qualquer forma. Não. Não. Eu sou aquela que muda os caminhos. E sai da zona de conforto. E grita alto, ainda que não queiram escutar ou compreender. 
Passa devagar, Vida! Porque tens o péssimo hábito de correr depressa.
Por isso, faço eu um pedido a tu: Conceda-me a finitude máxima e possível.

terça-feira, 2 de junho de 2015

PAZ


Não posso delegar a ninguém a responsabilidade pela minha paz interior. Depende exclusivamente de mim, dos meus atos, do meu amor. 
No mais, não posso permitir que a furtem de mim. Ora, eu a conquistei: é fruto de minha consciência. 
Portanto, eu digo: qualquer tentativa de furtar minha paz é tempo desperdiçado. 
Sou uma menina, mas aprendi, entre a dor e o amor, a se apegar com fé à minha paz. Preciso dela. Todos precisamos.

sábado, 23 de maio de 2015

Clarice e a Boba

Muitos dias são à Lispector. Hoje foi um deles: lembrei-me que sou uma BOBA e, instantaneamente, Clarice veio-me ao coração:



Das Vantagens de Ser Bobo - TRECHOS

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." 

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. 

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. 

(...)
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. 


O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. 

(...)
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

terça-feira, 12 de maio de 2015

ELE

Filho: já veio a mim. Portanto, o muito eu já recebi, como presente inesperado de Deus.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Eu sou de verdade

Prefiro a sinceridade ao medo velado, a hipocrisia enrustida.
Prefiro a sinceridade a covardia que cala a alma, a obviedade fabricada com arrogância.
Prefiro aquela verdade, que dói em quem tiver que doer - inclusive em mim - a mentira efêmera que teima em omitir. 
A verdade é a resposta para quem deseja um coração honesto que fala mais do que deveria, que deveras se expõe de tanto gritar alto para ser compreendido.
O verdadeiro não ludibria por subterfúgios. Alimenta-se pela ousadia de ser transparente em um mundo no qual a maioria se veste de máscaras e se impõe prisões pelo puro fato de não querer jogar limpo. Ou de não poder.  Ou mesmo de não saber jogar limpo, pois o coração fora corrompido quando nasceu a noção de caráter - hipótese mais triste.
No final das contas, não ser real é a ausência - muito bem sentida - da coragem  e da LIBERDADE DE SER.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

...

Sobra: covardia, orgulho, arrogância e medo.
Falta: coragem, independência, apreço, singeleza e, sobretudo, AMOR.
Consequências imediatas: dias cinzas, fingimento e ausência de felicidade - aquela que é de verdade, não a tão comum "felicidade" comprada.
Consequências futuras: perder a chance de ter uma vida plena.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Chinelos



Sinto da falta da inocência, da vida simples, dos meus chinelos havaianas, da cara lavada. Sinto falta do calor da terrinha, da pré-escola. Saber ler e escrever, sem gaguejar, naquele tempo era luxo. E eu era a oradora da turma, a rainha do milho, a fadinha da peça teatral. Sinto falta das minhas amigas, de Clarinha, daquele pé de manga e de pegar “soldadinhos” nas árvores.

Tenho saudades do tempo em que ser eu mesma era orgulho, independência e verdade. Porque esse mundo de gente grande, de hipocrisia e de homens de terno, definitivamente, não é pra mim. Sinto-me por fora.

Às vezes, quando percebo a falta de dinâmica na vida e quando a repetição do cotidiano me atinge de tal maneira que me dá vontade de chorar, tenho vontade de ir embora para um lugar onde ser o que sou não signifique ser tapada. E esse lugar existe: está no meu passado. Mas para lá, eu não posso voltar. O jeito é fazer força. O jeito é aceitar a vida tal como ela é no presente: na terrinha fria e lotada desses homens de terno.

Quero poder ser honesta, assim como eu era lá atrás, sem que me julguem por isso. Quero o que é certo, mesmo que eu me prejudique. Quero que me compreendam e que saibam que faço o melhor para ser o melhor que posso. Não adianta eu ficar me comparando com os outros. Deus me fez do jeito que fez e aceito isso.

Não sou a mais inteligente, a mais bonita, a mais popular, a mais correta. Não sou oradora de nada e não invento mais papéis. O presente não me permite isso. Sou, muitas vezes, impulsiva, ansiosa e chata. Mas sempre tento ser o melhor que eu posso ser.

Fiz muitas promessas: uma delas diz respeito à minha profissão. Não irei contra as minhas convicções. Decidirei sempre pelo que entendo justo e correto. Para mim, a maior lei de todas é a que diz: "Não faça aos outros o que você não gostaria que fizesse a você." A norma é simples, de direito natural, de inspiração divina.

Quem sabe agindo assim, o mundo não pareça tão estático e cinza, tão cruel? Quem sabe eu consiga transformar, com os meus atos, o frio de hoje no calor daqueles dias, lá na terrinha?!

UM GRANDE E NECESSÁRIO “PS”

Preciso escrever esse “post scriptum”. Porque depois que reli esse meu último texto, ele me pareceu um tanto estranho. Eu não quis dizer que sou daquele tipo de pessoa que idolatra o passado, idealiza o futuro e não sabe viver o presente. Não é isso.

Na realidade, é o extremo oposto. Estou dizendo que tenho saudades da minha infância, do tempo em que eu não tinha consciência nenhuma do sentido da vida, como ela é, da forma como a enxergo hoje. E justamente por sentir tantas saudades de uma época, é que, faço as minhas críticas aos dias de hoje, mas não deixo de valorizar cada um deles. Porque, eu bem sei que o futuro é incerto e que, provavelmente, ao passar dos anos, cada vez mais, em progressão geométrica, tomarei mais e mais consciência dos vários significado da palavra “vida”.

Vejam bem: não é pessimismo. Não espero que a vida piore a cada dia que passa, mas é fato que cada dia, eu me tornarei menos e menos inocente. E a inocência é um prazer, que não valorizamos como tal.

O que eu espero de verdade? Espero que mesmo me tornando mais crítica e menos inocente, que eu aprenda a lidar com o mundo.

O que vivo hoje será passado no futuro. E sim, eu sentirei falta do presente, dos dias de hoje, por nostálgica que sou, assim como sinto falta do passado, da minha infância. Mas naquela época, assim como todo mundo da minha idade, eu não tinha como dar o devido valor a vida. Faltava-me todo discernimento sobre esse assunto. E por tomar um pouquinho de consciência de mim e da vida aos vinte e poucos anos, sinto falto do passado, mas valorizo o presente, porque um dia, no futuro, ele será o objeto do meu saudosismo. Isso me faz dar muito importância a cada segundo dos meus dias.

 E espero, de verdade, que a maturidade, que ainda não me atingiu, me traga sossego no futuro para aceitar o que não é modulável no mundo. Dá para entender?

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Força


A vida é um monte de trancos e barrancos, com poucas leves paradas e planícies. O negócio é ser forte para você, à sua maneira. 

A sua fortaleza, com certeza, é diferente da dos outros. Não perca tempo querendo mostrar que sua fortaleza é maior, é melhor. Ela é apenas de outro tipo, material, sentimento.
E, sim, a construção da sua força deve ser constante. Não há como se blindar do desconhecido.
Ah! Não confunda delicadeza e sensibilidade com fraqueza. Chore o quanto quiser. 
Ser forte é prosseguir, é recomeçar, é acordar pela manhã e pensar: "- Apesar de tudo, estou de pé, não descontarei a minha dor em ninguém e andarei de mãos dadas com a honestidade".

SAUDADE



A saudade é uma vírgula; um "stop" no destino; uma folga na vida; uma interrupção no tempo; um breve intervalo no espaço; um minuto sem respirar.
Assim a sinto: sempre como um hiato. É um jeito de levar a vida sem pensar que o amanhã pode não existir por um milhão de motivos - todos distintos.

Suportar a saudade somente assim. Não consigo viver pensando que, eventualmente, eu não tenha a oportunidade de por um termo final na saudade que sinto.

Saudade genuína, factual, real e palpável é mesmo o AMOR que permanece e que anda conosco para cima e para baixo. Dorme com a gente. Acorda com a gente. Ela está ali quietinha nos momentos felizes e apreensiva, nos momentos difíceis, especialmente naqueles em que você tem aquela necessidade absurda de estar perto do ser que é objeto de tamanho sentimento.

Saudade é um ritual sagrado e personalíssimo. É saudade dos olhos que somente você pode enxergar à sua maneira; do coração que somente você conhece de determinada forma. É saudade dos sentidos tato, olfato, visão, audição, gustação, que somente você pode identificar. Porque a saudade é subjetiva: cada um sente diferentemente do que e de quem sente falta.


Mate a saudade sempre que puder. Um dos piores sentimentos que podemos experimentar é a saudade de um tempo que não existiu e não existirá jamais. Não deixe para depois. NUNCA.