sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Como escolher quando não há escolha.



Como escolher:
entre o roto e o esfarrapado?
entre o sujo e o mal lavado?
entre o corrupto e o desonesto?
entre o velho e o arcaico?
entre o perverso e o infame?
entre o custoso e o espinhoso?
entre a política do café com leite e a ditadura?
Há escolha válida, justa, apropriada, veraz?!
Pior: existe sensatez quando não tenho possibilidade, alternativa, vez, caminho, opção, vicissitude?
Desculpem-me. Não lavei minhas mãos e tenho certeza absoluta disso.
Não vou escolher. Não posso escolher entre o "menos pior". Isto não existe na Língua Portuguesa e nem na vida real.
Não há qualquer discernimento nestas escolhas (para quem pensa como eu).
É contra meu estado de espírito escolher entre iguais. Iguais são iguais e ponto final.

Andréa Buschinelli

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Atingida por uma ESTRELA




Ela queria ser atingida por uma estrela.

Quando atravessava as ruas, pensava que queria ser atropelada por uma estrela como se é atropelada por um carro. Mas os carros nem a viam como deveriam. Parece que ela é neutra externamente.

E também se a vissem,  a seu modo, não fariam  isso. Todo mundo tem medo de tudo, imaginem: atropelá - la?

Não sei se ela é tão neutra como pensa. Porque seus brincos de pérola falsos parecem de verdade e não permitiriam que ela fosse atropelada. Nem seu rosto de menina-mulher, quase triste, quase feliz. Nem Deus permitiria tamanho horror, se Ele existe.

Não poderia ser um raio. Teria que ser uma estrela. Porque estrelas são bonitas, brilhantes, não dão choque.
Dizem que quando estamos vendo as estrelas, elas já podem ter morrido.

Dizem também que algumas estrelas se contraem, se encolhem e viram um buraco negro. Que triste isso.

Mas há quem diga que quando se fragmentam, dão origem a várias outras estrelinhas.

É por uma dessas estrelas que ela pedia para ser atingida. Bem no meio do peito. Um estrondo. Ela cairia. Levantaria em seguida. E teria um coração estrelado. Sairia cantando como uma doida varrida sem se importar.

 Ela realmente não se importa com o que acham dela.

Ela se importa com outras coisas que não me cabe falar. Falar sobre ela não combina com ela. Isso é certo.

Coração estrelado chegue até a ela, do jeito que for. São SÚPLICAS de um AMOR. Desse jeito, tristeza nenhuma teria espaço para ocupar seu coração. Mágoa nenhuma a lembraria dos tempos perdidos, das pessoas perdidas. Não haveria lugar para a mágoa e nem para a desesperança nas pessoas que conhece e que a rodeiam.

Desesperança nas pessoas que conhece e a rodeiam. Ela merece? Este AMOR diz que não veemente. Mas quem é ele, que nem ao menos mostra sua cara?  Não tem moral, portanto.
Mas este AMOR fala, não se cala. Ainda que não se mostre. É seu dever salvá-la.

Buracos negros ela já tem. Mas não no coração. Na sua própria história. Na sua vida. Pelo jeito desajeitado que ela acha que nasceu: sensível, empática, simples em todos os meios e sentidos.

Desacreditada por esse mundo-cão. Ela é.

Ela quer um coração somente estrelado. Sem espaço para mais nada, a não ser pedaços de estrelas. Esses pedacinhos sim poderiam se fragmentar e virar milhões de estrelinhas, que ela doaria com muito prazer a quem precisasse. AFIRMAÇOES de um AMOR, que a conhece, que a estima, que sabe quem ela é de corpo e alma.
QUE se inspira completamente e absolutamente nela.
08 de setembro de 2014
Andréa Buschinelli

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Procura-se



Procura-se alguém que me ache linda mesmo quando eu estiver usando pijamas de bichinhos, moletons surrados ou chinelos havaianas.

Procura-se alguém que me ache linda quando meus olhos estiverem fundos e eu estiver cheia de olheiras de tanto chorar diante dos meus fracassos, erros e dores emocionais.

Procura-se alguém que me ache linda nas minhas crises de enxaqueca, de depressão, de medo generalizado, no escuro ou na claridade; pouco importa: que me ache linda apenas.

Procura-se alguém que me ache linda mesmo nos momentos em que eu me assemelhe mais com um nécessaire ambulante de remédios do que com uma pessoa normal.

Procura-se alguém que me ache linda de tranças ou de coque porque não tive tempo ou vontade de me arrumar.

Procura-se alguém que me ache linda sem saltos, sem roupas de grife e sem estilo definido, porque não tenho mais paciência para essas coisas.

Procura-se alguém que me ache linda nas minhas crises publicas e súbitas de chilique agudo. Que me ache linda dando vexame e defendo o que eu acho justo, correto e honesto no momento. Mesmo que depois eu me arrependa, porque eu erro e erro muito.

Procura-se alguém que me enxergue de dentro pra fora, sem maquiagem e com a cara lavada. E que não se assuste com o tamanho da minha ansiedade e da minha sensibilidade. Procura-se alguém que me ache linda assim: sem julgamentos. De qualquer jeito e em todo e qualquer momento.

Um dia daqueles


 
 
O domínio do mundo são minhas palavras. Não, isso é mentira. Eu não sou nem um sopro de vida. Sou uma respiração apertada de um asmático, a respiração insuficiente de um doente. E escrever não me basta. Nada que eu faço tem me bastado. Nem a minha escrita sagrada. Escrever era como se eu vivesse em Passárgada.  Era viver em outro mundo que não o meu. Porque aqui nesse mundo, eu não estou feliz. E lá a existência era uma aventura. O escrever me dava liberdade, eu poderia ser qualquer uma, ter um grande amor, muitos amigos, estar numa festa como uma princesa criança, numa praia, lotada de coqueiros, com o sol tocando a minha pele daquele jeito leve que somente o sol consegue tocar. Mas estou presa na minha cama e com algemas. Aprisionada. Sufocada pela dor do mundo. A minha própria dor. A dor de outros. Todas as dores do mundo me doem o tempo inteiro. Tenho um cérebro morto e um coração, vermelho escarlate, vivo de dor. A dor que sufoca. Que dor. Quanta dor. Ajuda? Não consigo. Ainda tenho bilhões de lágrimas tristes aqui dentro dessa alma quase morta e desse corpo vivo. Aqui está a minha última força: escrever para me esquecer desta dor por um segundo e lembrá-la no segundo posterior. Não procuro mais respostas para maldades gratuitas. Não faço perguntas, com exceção de uma: por que este mundo é tão ao contrario? Embora eu saiba que ninguém jamais poderá me dar essa resposta de forma correta, eu a refaço por vários dias. Se Deus existe, só Ele sabe. Mas ainda assim, não me daria a resposta. Eu não sou privilegiada. Não sou mais do que ninguém. Ele me trata igual a todos. E todos ficam sem resposta. Escrevo quase sem fé. Ela está escorregando das minhas mãos e eu tento a todo custo não deixá-la ir. E por isso que tenho desespero: vou-me embora para minha cama, porque não tenho passagens para Passárgada. Não sou amiga de nenhum rei.
Andréa Buschinelli - 07 de julho de 2014

Direito e Poesia - No campo amoroso!

 
Aplicando Jakobs e sua teoria do direito penal do terror no campo amoroso.

Vinicius de Moraes que me desculpe (e não as feias), mas beleza não é fundamental! Do que adianta a beleza? Não sou hipócrita: a beleza abre muitas portas, mas não as mantêm abertas por muito tempo, caso falte conteúdo.

 É fácil se apaixonar pelo o que é belo. Difícil é manter a porta aberta, e, consequentemente a paixão. E
essa acaba rapidinho quando não temos real admiração pelo outro.

Por isso, hoje em dia, rebaixo a beleza! Só olho para ela posteriormente. Óbvio que preciso sentir a tal química. Mas se a sinto, passo a prestar atenção no que é preliminar (requisitos mais do que necessários): nos que os olhos dizem, na sinceridade que o outro demonstra, na bondade perceptível pelas palavras e gestos. Mas, principalmente, analiso detalhadamente a forma como o cara trata os outros. Essa regra é básica: se ele é arrogante com os outros, um dia será com você; se é  fdp com alguma mulher, um dia será com você. Não nos enganemos! Mulher tem esse defeito de achar que com ela vai ser diferente! Mas não vai. Ninguém muda a essência de ninguém! É esforço em vão. Tempo perdido. E sofrimento na certa.

Não que alguns caras bons não passem por uma fase "cachorro". Eles passam sim! Até porque nós mulheres também passamos pela fase "coração de gelo". Basta se envolver com um imbecil. Preste atenção nos sinais. Analise a vida do cara, os amigos, a relação com a família. Ouça o que ele diz nas entrelinhas. Fique atenta. E aí, você vai perceber se o cara é realmente um fdp sem solução ou se apenas está passando pela fase "cachorro". Caso ele se encaixe na primeira opção, dê um tchau de longe para não cair na tentação.  Contudo, entretanto, todavia: se ele se encaixar na segunda opção, por que não dar uma chance?! Pode valer a pena.

Aprendi cedo a lição. Se o cara não passar pelo juízo de admissibilidade, não entro no mérito, já estou fora. Tiro ele de circulação sem julgamento do mérito mesmo. Ah! E sem direito a qualquer nova tentativa, a ampla defesa e tampouco ao contraditório. Caras assim não são merecedores de uma dupla análise. É questão de justiça!

Na vida amorosa, o que vale é o Direito Penal do Inimigo (rs! que me entendam, meus amigos juristas). Teoria de Jakobs. Nada de defesa, nada de recurso. Até porque aqueles reprovados no juízo de admissibilidade, não estão incluídos na categoria de "homens". Portanto, não merecem tratamento igualitário. A eles, se aplicam outras regras. É o direito penal do terror no campo amoroso! A nota característica do inimigo, quer dizer, do "cachorro" é a imprevisibilidade no sentido negativo.

A idéia é a seguinte: se o cara não tem qualquer consideração, se ele não conhece nenhuma das regras de respeito a nós mulheres, ele não é sequer um homem de segunda categoria. Ele simplesmente não é um HOMEM e por isso, as penas a eles impostas são muito mais severas. Sem piedade!

Esses caras são ocos. E eu, simplesmente, não me contento com o que é vazio, escasso, sem graça, por pura ausência de vida. Eu não. Sou rosa, roxa, vermelha, azul, amarela, todas essas cores que representam felicidade. Não permito, melhor dizendo, eu proíbo que me transformem em cinza! E é isso que esses caras fazem.

Eu quero muito da vida, entendeu?! Eu quero a verdade, o sentimento. E caso eu não encontre isso, já aplico Jakobs, resolvo a situação antes que o sofrimento bata a minha porta e evito que o meu coração vire uma pedra de gelo.

PS: aos homens de primeira categoria:  esse texto NÃO é pra vocês!
 
Andréa Buschinelli - maio/2011

sexta-feira, 28 de março de 2014

Razão Simples



 Entendo o que você sente: essa vontade toda sua de querer descontar no mundo. Gritos, berros, choros. Mas a dor é sua, somente sua. Essa história que contam por aí que a gente pode dividir as dores não é bem verdade.
 
Sentir dor é necessário, é comum a todos nós. Você precisa passar por isso. Precisa entender que a vida é uma sucessão de problemas e que a gente deve ser feliz nos intervalos dos problemas. Não é pessimismo. É a vida real para a maioria de nós. E não venha me dizer que os seus problemas são maiores do que o das outras pessoas. Você não é egoísta, embora ande agindo como tal.
 
Poxa, você já é grande. Eu não deveria ter que lhe falar coisas que você já ensinou a muita gente. Não consigo ver você levar a dor por onde quer que você vá. Porque, mesmo nas situações mais difíceis, você sempre levou amor.
 
Não propague sentimentos ruins, que não são seus, como se você estivesse derrubando dominós. Não se contamine com a rejeição que você acha que o mundo sente por você. Seja dura na queda. 
 
Não queira mal a quem você acha que te fez mal. As pessoas agem como podem. Lembre-se disso, por favor. Cada um só dá exatamente o que tem. Nada mais e nada menos. Não adianta cobrar sentimentos. Sentimentos simplesmente acontecem. Não são mercadorias e não podem ser exigidos.
 
Não desconte em Deus. Ele não tem a nada a ver com isso. Também não diga que é falta de sorte, que o mundo tem sido cruel e mesquinho com você ou qualquer infantilidade desse tipo. A gente está aqui para aguentar os tombos, ainda que a trancos e barrancos. O porquê eu não sei e ninguém sabe. A explicação está lá em cima. 
 
Pare com os julgamentos. Porque você tem se esquecido de julgar a si. Enquanto você não conseguir julgar os seus próprios atos não conseguirá conviver bem com as decepções. Entende - lás, eu não sei se você vai. 
 
Pare de transformar em munição toda a tristeza que você sente. Magoar os outros não vai diminuir sua dor. Você sabe disso.
 
Uma hora ou outra, rejeição, tristeza e decepção passam pelas nossas vidas. Não dá para fugir disso. Não há mesmo escapatória. Portanto, o que a gente tem que ter é coragem para a vida.
 
Não se subestime e não deixe que a tristeza que você sente agora lhe transforme numa pessoa que você nunca foi e nunca quis ser. Sinta a tristeza. Chore se for preciso. Peça ajuda a Deus. Deite no colo de quem lhe ama. E quando você perceber que está deixando a justiça de lado, reconheça, volte atrás. Peça desculpas. Não há qualquer problema nisso.
 
A felicidade está apenas esperando você fazer a sua parte. E eu estou aqui torcendo para que você sinta a plenitude o mais rápido possível. É verdade. Não estou inventando nada disso. A dor vai embora e a felicidade chegará sim até você de novo e aos poucos.
 
Por incrível que pareça a dor tem também o poder de nos tornar mais compreensivos.
 
A escolha é sua, como já foi minha um dia também. Como será por muitas vezes enquanto vivermos.
 
E há uma razão simples para eu lhe dizer tudo isso: AMOR.
 
Tenho absoluta certeza de que você me diria o mesmo. Aliás, me dirá se eu precisar.