quarta-feira, 29 de junho de 2016

Há um menino

Há um menino...
Cheio de energia
Vive no mundo da fantasia
Faz-me fazer poesias
Rimas pobres, mas com ideologias
Respiro alegrias!
Há um menino...
Cheio de amor
Tira-me a dor
Lembra-me que eu tenho muito humor
É galanteador!
Há um menino...
Brinca de roda
Deixa-me torta
Come catota
E foi esculpido a minha moda!
Há um menino...
Transformador, construtor e reparador
De corações
Digo orações

Tudo para lhe prevenir rachões!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Pretérito Imperfeito

Descobriu, então, que não sabia odiar. Apenas amar. O resto era uma indiferença esmagadora, patética, grotesca; que às vezes se travestia de certo despeito.
Deu-se conta de que a raiva que sentira era amor. Amor interrompido.
Surpreendeu-se com a resguarda de um orgulho não querido. Herança de um passado medíocre, mentiroso e frustrado. Pretérito imperfeito que ela mesma impusera-se.
Ficara com decadente aversão sim. O pavor de talvez não enxergar mais ninguém.

E talvez. Apenas porventura: o amor- antes-presente tenha se embargado pelo pretérito imperfeito (quem a entenderia?).

terça-feira, 7 de junho de 2016

ESTADO DE POSSE


Você se acha o possuidor de alguém? De onde você tirou isso? Explique-me.
Posse é Instituto de Direito, ainda que não seja um direito nem mesmo no mundo jurídico. É relação fática inter-humana com uma COISA, meu caro. NUNCA COMO UMA PESSOA.
Tratar um ser humano com ânimo de dono e agir com essa possessividade que não te diz respeito é o mesmo que tratá-lo como um ser inanimado. Cruz credo. PQP. AFE! ECA!
Não posse me manifestar contra o estado de posse que se atribuem às pessoas sem alterar o meu linguajar poético de merda.
Apossar-se de alguém? Você pode. Usar outrem? Pode também. Usufruir até o último segundo que lhe é conveniente? A sociedade permite e você, bobo da corte, segue a manada. Gozar então: à vontade! E depois pode se livrar disso tudo com cara de santo e ares de honestidade – como se não tivesse enganado ninguém. Não amar é permitido, sabia? Falar a verdade também. Mas “possessar” não é nada divino. “Possessar” é estado de merda.
Mas sabe o que você não pode fazer de forma alguma, caríssimo? Reaver uma mulher (você NÃO tem direito de sequela) e tampouco o direito de dispor de uma mulher. Ela é somente dela. Não é sua. Nunca foi, bobinho.
APRENDA: Amor é Amor. Não é estado de posse. Não é essa possessividade agressiva e gratuita. 


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Rascunhos de dias de imposição

Quem me impôs?
Que eu deveria ser excelente, excepcional e talentosa em alguma coisa?
Quem me impôs?
Que eu deveria ser boa esposa, boa namorada, boa amiga, boa filha, boa profissional e boa mãe – tudo ao mesmo tempo? Deixe-me me ser péssima e me sentir bem com a catástrofe. Adorar a condição deplorável em apenas alguns momentos!
Quem me impôs?
Que eu fosse a primeira da turma, a rainha do milho, a princesa coroada na peça teatral, a oradora, a que primeiro decorou a tabuada e a que não podia cometer erros de português?? Deixasse que eu fosse a bruxa da peça, a que não sabia fazer contas, a que falava mal, escrevia errado e era abominosa. Só de vez em quando!
Quem me impôs o equilíbrio que me desequilibrou? A teimosia em ser perfeita que me desajustou?
Fui eu! Fui eu! Fui eu! A minha própria impositora-sabotadora!
Queria eu me impor o NADA. O NADA mesmo. Queria saber aceitar a relatividade. Contentar-me com os meios termos e a mediocridade.
Mas eu vivo a me impor! Imponho-me a eternidade da honestidade e a decência do coração. Imponho-me saberes impossíveis (e não sei nada). Por que não posso ser efêmera, caduca, uma transeunte provisória? Porque não posso. Minha alma não me faz concessões. A minha essência pura me faz teimar em não aceitar o menos que tantas vezes poderia ser o MAIS.

E é assim: impondo-me tanto, encontro-me sempre a navegar contra duras correntezas. Contradição indizível a minha.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Discurso de alma de mulher



Seus ritmos, pulsações e compassos...
Suas melodias, toques, arranjos e balanços...
Seus sonhos, andanças, caminhos e estradas...
Estão todos registrados na infinitude de sua alma de mulher.

Por isso, o AMOR te implora:
Não perca seus instintos e intuições.
Não se exija de mais, nem de menos.
Não se subordine ao ego, ao orgulho, aos padrões, à cultura e sobretudo aos outros.
Não deixe que te roubem o que é seu por natureza: essa sua essência, essa sua decência, essa sua paixão sutil pelo mundo, essa meiguice brava e essa docilidade tantas vezes rude.
Enfureça-se diante de injustiças e não se cale quando o seu corpo estiver em chamas.
Saia da zona de conforto, do tédio paralisante e da rotina maçada.
Lembre-se do porquê de estar aqui e agora.
 Escape de rótulos, amordaças, cadeados, prisões, depreciações e podamentos.
Defenda-se em causa própria. Grite se quiser.
Vença pelo amor que carrega e arrasta por todos os cantos.
Seja mais do que fluente em você mesma. Pois somente você sabe as suas verdades. Ninguém mais.
ESCUTE, MULHER, O SEU DISCURSO INTERNO.

O DISCURSO DA SUA ALMA É A SUA COERÊNCIA, É O SEU AMOR-PRÓPRIO, É A SUA CURA, É O SEU DESTINO E É A SUA PRÓPRIA VIDA.