terça-feira, 11 de novembro de 2014

Clarice





Amo com todos os meus sentidos.
De todos os jeitos, trejeitos, defeitos.
Porque o AMOR é assim mesmo: sinestésico.

Amo sem argumentar, ilogicamente, aprioristicamente.
Porque o AMOR não é ciência: prescinde de constatação fática.
É lúdico, mágico.
Já foi escrito nas estrelas há muito tempo.
Amo sem retorno, resposta ou qualquer solução.
Porque o AMOR carece de contrapartidas.
É essencialmente unilateral.
Amo com a sinceridade estampada na testa e com o sorriso mais honesto que posso dar.
Porque o AMOR é merecedor da verdade escancarada. Enxerga quem pode.

Amo porque amo o AMOR, altruisticamente.
 Com a face, a alma e a coragem de quem ama de modo absoluto: sem preocupações.

O medo não está para o AMOR.
É o orgulho que anda de mãos dadas com o temor.
Nunca o AMOR.

Mudanças repentinas


 

Teimo em teimar. Verbalizo quando deveria calar e me calo quando deveria gritar ao mundo. Sou rebelião, quando deveria ser paz. paraliso quando deveria agir. E vou por impulso quando deveria raciocinar e frear. É tudo às avessas. Sabe o que é? Vivo a minha era da mais plena contradição. E tenho todo o direito de vivê-la. Quem não o tem?! Ser lógica o tempo todo é entediante. Deve ser por isso que, ainda sem querer e não saber, sou assim, de tempos em tempos: sem nexo. Não caio na monotonia dessa vida feita de rotinas. Pois que, esse desconexo nada mais é do que uma adaptação inconsciente, inteligente e evolutiva que faço para não cair na mesmice, o que pra mim é sinônimo de infelicidade. A repetição não faz bem para a cabeça. Enferruja a mente. E pensem o que quiserem a meu respeito: sou eu que respiro por mim. E ponto de exclamação. Não me venham com pontos, pontos e vírgulas e muito menos interrogações. Já está aqui, em um só parágrafo, as explicações para quem interessar: sobre as minhas mudanças repentinas.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sou eu em mim

Sou mulher, mas sou  muito MAIS menina.
Sou mãe, sou filha; seu amor, seu desamor.
Sou seu compromisso e sou seu maior contratempo. 
Sou riso, felicidade, mansidão e sou dor, tristeza, solidão.
Sou defensora e sou sua pior oposição.
Sou sensibilidade, altruísmo e compaixão. Sou explosões de raiva e sou a própria palavra impulsão. 
Sou a sua direita e, fatalmente, a sua esquerda. Começo, meio e o seu "the end".
Sou uma santa escandalosa. Um amor de menina e uma brava mulher.
Pois é, sou o paradoxo dos paradoxos, a hipérbole das hipérboles, a metáfora das metáforas. Uma metonímia, para ser mais ampla.
Posso eu tentar me encaixar em palavras. Ninguém mais. Sou eu quem habito esta pele, esta alma, este coração. Eu em mim tenho o direito a me autocapitular. Somente eu: é direito personalíssimo. Absoluto. Sem exceção à regra. 
Preste atenção:
Não me defina. Extrapolo definições: sou de verdade e não uma mentira inventada por um mundo fanático e torto.
Não me espie de longe. Olhe de perto, se quiser. Fale no meu ouvido. Ouça a minha alma. Seja claro.
Sinta em mim, mulher/menina, a fortaleza da minha queda; a rudeza do meu choro; a elegância da minha descompostura; a sutileza das minhas paixões; o amor do meu grito mudo.
Aceite - caso consiga. 
OU
Deixe-me em paz.
Mediocriodade de espírito não me convém. Alma cinza me faz fugir. Coração frio é defeito inaceitável. E obscuridade não tem recurso na minha vida.