sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Manifesto do AMOR

MANIFESTO DA ANTROPOFAGIA AMOROSA






Só o AMOR nos une. E o desamor também. Socialmente e economicamente?  Lógico! O que é um amor classe “a”, ”b” ou “c”?! Todos querem um amor classe “a”, com Mercedes no coração e títulos acadêmicos na garagem! Amor classe “c”? Opa! Esse é um amor para raros. É para quem acredita em dividir um lar! Filosoficamente?  Talvez o amor incondicional seja a única lei pura do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos e de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

“Tupi, or not tupi” voltou a ser uma questão. Ou nunca deixou ser. Mas o sentido contemporâneo dela seria “ter ou não ter?”.  Estamos todos fatigados de todas as pessoas pseudoreligiosas?! Ou não estamos?! As que vão às Igrejas e fingem orar; mas não honram as próprias calças. Mentem!   E Freud não resolveu o enigma!  Apenas o apontou: mundo interior e exterior ainda são indecifráveis.

Mas vamos lá! Isso é um manifesto, não uma confissão! Qual a grande hipocrisia do amor? Respondo negativamente. A grande hipocrisia do amor é não ser hipócrita num mundo adorado ferozmente pelo consumo. Uma figura de linguagem, por favor! No país da cobiça. No país do academicismo. No país da tortura. Foi porque nunca tivemos origens?! E o sentido das palavras cultura,  conhecimento e liberdade? Continuamos preguiçosos no amor, no desamor, na economia, na política, na história e na geografia?!  Não temos consciência amorosa, filosófica e social em sentido amplo?! Será que as importamos também? (Deixo de lado a economia, pois ela precisa de um tratado, não de um manifesto)! Será que o amor e o desamor seguem a linha da Literatura e da História?! Ah! Seguem! Caraca! Sem nós a Europa não teria sequer aquela declaração dos direitos do homem! Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à revolução Surrealista, à revolução socialista e seus mil contrapontos ao capitalismo maluco e selvagem. 

Caminhamos. Ou não. Nunca fomos catequizados para o AMOR. Fato. Nunca nos ensinaram a amar. Tão poucas palavras de amor, de solidariedade e de empatia. Mas ensinaram-nos a ganância e o desamor. E AS MENTIRAS! Vivemos através de indiferenças!  Vimos o holocausto. Vimos Canudos. Eu vi Sertânia e seus arredores.  Então aqui vai o manifesto: contra os românticos! Eles apenas importaram um ideal. Não houve espírito e alma e coração!  A gente precisa aprender a amar e desamar! Não como os europeus e sua literatura, ou os americanos e seus filmes!  Mas como habitantes desta terra de corpo e alma. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica para quase todos nós! Para compreender o que precisamos deglutir, engolir, vomitar, beber, cheirar! 

Antropofagia. Comer o irreal, a mentira, a família doriana, a normalidade, o rodinário, as ideias prontas e o amor fácil que não existe.  E aprender a reconhecer: o abraço difícil e  o beijo na testa. A transformação permanente para sempre, pois a vida é mesmo redundante.

 Contra o mundo retrógrado que não aceita todas as formas de amor. AMOR É AMOR.  Precisamos cadaverizar nossos preconceitos. Matá-los. Enterrá-los com força e fé.  Oswald continua correto: o indivíduo é vítima do sistema, odeia e é dominado.  Ele é fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores, do coração mesmo. Ele é o desamor. Esqueceu-se do amor. Antropofagia ao desamor. Eis o que todos nós precisamos.

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