Só o AMOR nos une. E o desamor também. Socialmente
e economicamente? Lógico! O que é um
amor classe “a”, ”b” ou “c”?! Todos querem um amor classe “a”, com Mercedes no
coração e títulos acadêmicos na garagem! Amor classe “c”? Opa! Esse é um amor
para raros. É para quem acredita em dividir um lar! Filosoficamente? Talvez o amor incondicional seja a única lei pura
do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos e de todos os
coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
“Tupi, or not
tupi” voltou a ser uma questão. Ou nunca deixou ser. Mas o sentido
contemporâneo dela seria “ter ou não ter?”. Estamos todos fatigados de todas as pessoas pseudoreligiosas?!
Ou não estamos?! As que vão às Igrejas e fingem orar; mas não honram as
próprias calças. Mentem! E Freud não resolveu o enigma! Apenas o apontou: mundo interior e exterior
ainda são indecifráveis.
Mas vamos lá! Isso é um manifesto, não uma confissão!
Qual a grande hipocrisia do amor? Respondo negativamente. A grande hipocrisia
do amor é não ser hipócrita num mundo adorado ferozmente pelo consumo. Uma
figura de linguagem, por favor! No país da cobiça. No país do academicismo. No
país da tortura. Foi porque nunca tivemos origens?! E o sentido das palavras
cultura, conhecimento e liberdade?
Continuamos preguiçosos no amor, no desamor, na economia, na política, na
história e na geografia?! Não temos consciência
amorosa, filosófica e social em sentido amplo?! Será que as importamos também?
(Deixo de lado a economia, pois ela precisa de um tratado, não de um manifesto)!
Será que o amor e o desamor seguem a linha da Literatura e da História?! Ah! Seguem!
Caraca! Sem nós a Europa não teria sequer aquela declaração dos direitos do
homem! Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à revolução
Surrealista, à revolução socialista e seus mil contrapontos ao capitalismo
maluco e selvagem.
Caminhamos. Ou não. Nunca fomos catequizados para o AMOR. Fato. Nunca nos ensinaram
a amar. Tão poucas palavras de amor, de solidariedade e de empatia. Mas
ensinaram-nos a ganância e o desamor. E AS MENTIRAS! Vivemos através de indiferenças! Vimos o holocausto. Vimos Canudos. Eu vi
Sertânia e seus arredores. Então aqui
vai o manifesto: contra os românticos! Eles apenas importaram um ideal. Não
houve espírito e alma e coração! A gente
precisa aprender a amar e desamar! Não como os europeus e sua literatura, ou os
americanos e seus filmes! Mas como
habitantes desta terra de corpo e alma. O antropomorfismo. Necessidade da
vacina antropofágica para quase todos nós! Para compreender o que precisamos
deglutir, engolir, vomitar, beber, cheirar!
Antropofagia. Comer o irreal, a
mentira, a família doriana, a normalidade, o rodinário, as ideias prontas e o amor fácil que não existe. E aprender a reconhecer: o abraço difícil e o beijo na testa. A transformação permanente
para sempre, pois a vida é mesmo redundante.
Contra o mundo retrógrado que não
aceita todas as formas de amor. AMOR É AMOR. Precisamos cadaverizar nossos preconceitos.
Matá-los. Enterrá-los com força e fé. Oswald continua correto: o indivíduo é vítima
do sistema, odeia e é dominado. Ele é fonte
das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das
conquistas interiores, do coração mesmo. Ele é o desamor. Esqueceu-se do amor. Antropofagia ao
desamor. Eis o que todos nós precisamos.

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