Foi assim que eu me conheci profudamente e visceralmente: com a visita de um monstrinho débil.
Foi quando me dei conta de quem eu sou: uma ansiosa cuja sensibilidade beira extremos incógnitos agudos e crônicos.
É assim que me reconheço como pessoa que sou hoje: raros medos, absurda vontade de viver cada segundo de felicidade que me é dado pelos céus.
O monstrinho me deixou heranças. Sorrisos dignos, distintos e espontâneos. Olhares internos espertos. Ouvidos aguçados.
Tristezas? Somente as ordinárias.
Tenho tapeado muito bem o monstrinho do buraco, da recessão imotivada.
Presto atenção na caminhada.
Ele corre?! Eu corro mais depressa. Ele grita?! Ah! Eu berro! E sou verborrágica: canso-o com tantos argumentos que ele vai embora.
Acendo as antenas da lucidez quase todos os dias.
E as loucuras? Assusta o monstrinho do buraco! Ele sabe que são sinais de liberdade e de legÃtima defesa da alma que não quer ser encarcerada!
Caso o monstrinho queira aparecer?! Apareça! Já aprendi a ouvir os seus primeiros passos. E sou eficiente: já sei quem é o meu porto seguro.