segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Tamanha Lucidez

Foi assim que eu me conheci profudamente e visceralmente: com a visita de um monstrinho débil. 
Foi quando me dei conta de quem eu sou: uma ansiosa cuja sensibilidade beira extremos incógnitos agudos e crônicos.
É assim que me reconheço como pessoa que sou hoje: raros medos, absurda vontade de viver cada segundo de felicidade que me é dado pelos céus.
O monstrinho me deixou heranças. Sorrisos dignos, distintos e espontâneos. Olhares internos espertos. Ouvidos aguçados.
Tristezas? Somente as ordinárias.
Tenho tapeado muito bem o monstrinho do buraco, da recessão imotivada.
Presto atenção na caminhada.
Ele corre?! Eu corro mais depressa. Ele grita?! Ah! Eu berro! E sou verborrágica: canso-o com tantos argumentos que ele vai embora.
 Acendo as antenas da lucidez quase todos os dias. 
E as loucuras? Assusta o monstrinho do buraco! Ele sabe que são sinais de liberdade e de legítima defesa da alma que não quer ser encarcerada!
Caso o monstrinho queira aparecer?! Apareça! Já aprendi a ouvir os seus primeiros passos. E sou eficiente: já sei quem é o meu porto seguro.

Gauche


Quando eu nasci, um anjo desses bem lúcidos - que vive da racionalidade absoluta - disse-me: -Vá, menina! Siga o caminho da lógica! Mas eu não! Desobedeci o anjo e cá estou eu a seguir o caminho do coração.
Mundo mundo, vasto mundo!
Se quase tudo nesta vida não fosse tão imundo...
Teríamos muitas rimas, não  condenações!
Mundo mundo, vasto mundo!
Deixe para lá o meu coração!
Tenho eu nenhuma ambição.
Sim, sim! Eu deveria dizer-te...MAIS...MUITO MAIS!
Acontece que esta lua, este vinho...
Não me trazem qualquer definição.
Fico aqui ora fazendo alusões ora tendo visões.

Licença poética, Carlos! Nasci gauche!

sábado, 3 de setembro de 2016

NÃO

O NÃO que poupa, que esclarece, que liberta é um não-sim. 
É uma afirmação do que se é. É uma declaração do que se sente.
Dizer NÃO quando o que se queria era dizer um sim bem sincero é tão difícil quanto inventar um sentimento ou fazer sumir o amor. 
Mas se deve dizer o NÃO! Aquele NÃO que evita a dor próxima do outro. Este é um NÃO improrrogável. Um não para se gritar! Um não explícito!
A impossibilidade de dizer um sim verdadeiro deve necessariamente levar ao NÃO por consequência lógica-amorosa-digna.
O NÃO complicado de se dizer é na verdade um sim decente: um sim para a vida que está aí toda bonita e colorida para que a gente a viva claramente. 
Talvez pior do que ser omisso com o outro é ser omisso consigo mesmo.
Postegar o NÃO-SIM é uma das maiores bobeiras da vida: prende-se o presente e desespera-se o futuro.
"O QUE A VIDA QUER DA GENTE É CORAGEM" (G.R)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Direito de resposta

Direito de Resposta

Busca-se em lugares quaisquer AMOR
Não paixões exaltadas e efêmeras e futeis e relapsas
Quer-se a calmaria de uma crônica encomendada
Repulsa-se lampejos ainda que luminescentes
Deseja-se a paz amorosa de verdadeiros budistas
Não se requer experiência  nem arrebatamentos
Necessita-se, pois, de sentimento sincero

Ass: Eu