sexta-feira, 18 de julho de 2014

Procura-se



Procura-se alguém que me ache linda mesmo quando eu estiver usando pijamas de bichinhos, moletons surrados ou chinelos havaianas.

Procura-se alguém que me ache linda quando meus olhos estiverem fundos e eu estiver cheia de olheiras de tanto chorar diante dos meus fracassos, erros e dores emocionais.

Procura-se alguém que me ache linda nas minhas crises de enxaqueca, de depressão, de medo generalizado, no escuro ou na claridade; pouco importa: que me ache linda apenas.

Procura-se alguém que me ache linda mesmo nos momentos em que eu me assemelhe mais com um nécessaire ambulante de remédios do que com uma pessoa normal.

Procura-se alguém que me ache linda de tranças ou de coque porque não tive tempo ou vontade de me arrumar.

Procura-se alguém que me ache linda sem saltos, sem roupas de grife e sem estilo definido, porque não tenho mais paciência para essas coisas.

Procura-se alguém que me ache linda nas minhas crises publicas e súbitas de chilique agudo. Que me ache linda dando vexame e defendo o que eu acho justo, correto e honesto no momento. Mesmo que depois eu me arrependa, porque eu erro e erro muito.

Procura-se alguém que me enxergue de dentro pra fora, sem maquiagem e com a cara lavada. E que não se assuste com o tamanho da minha ansiedade e da minha sensibilidade. Procura-se alguém que me ache linda assim: sem julgamentos. De qualquer jeito e em todo e qualquer momento.

Um dia daqueles


 
 
O domínio do mundo são minhas palavras. Não, isso é mentira. Eu não sou nem um sopro de vida. Sou uma respiração apertada de um asmático, a respiração insuficiente de um doente. E escrever não me basta. Nada que eu faço tem me bastado. Nem a minha escrita sagrada. Escrever era como se eu vivesse em Passárgada.  Era viver em outro mundo que não o meu. Porque aqui nesse mundo, eu não estou feliz. E lá a existência era uma aventura. O escrever me dava liberdade, eu poderia ser qualquer uma, ter um grande amor, muitos amigos, estar numa festa como uma princesa criança, numa praia, lotada de coqueiros, com o sol tocando a minha pele daquele jeito leve que somente o sol consegue tocar. Mas estou presa na minha cama e com algemas. Aprisionada. Sufocada pela dor do mundo. A minha própria dor. A dor de outros. Todas as dores do mundo me doem o tempo inteiro. Tenho um cérebro morto e um coração, vermelho escarlate, vivo de dor. A dor que sufoca. Que dor. Quanta dor. Ajuda? Não consigo. Ainda tenho bilhões de lágrimas tristes aqui dentro dessa alma quase morta e desse corpo vivo. Aqui está a minha última força: escrever para me esquecer desta dor por um segundo e lembrá-la no segundo posterior. Não procuro mais respostas para maldades gratuitas. Não faço perguntas, com exceção de uma: por que este mundo é tão ao contrario? Embora eu saiba que ninguém jamais poderá me dar essa resposta de forma correta, eu a refaço por vários dias. Se Deus existe, só Ele sabe. Mas ainda assim, não me daria a resposta. Eu não sou privilegiada. Não sou mais do que ninguém. Ele me trata igual a todos. E todos ficam sem resposta. Escrevo quase sem fé. Ela está escorregando das minhas mãos e eu tento a todo custo não deixá-la ir. E por isso que tenho desespero: vou-me embora para minha cama, porque não tenho passagens para Passárgada. Não sou amiga de nenhum rei.
Andréa Buschinelli - 07 de julho de 2014

Direito e Poesia - No campo amoroso!

 
Aplicando Jakobs e sua teoria do direito penal do terror no campo amoroso.

Vinicius de Moraes que me desculpe (e não as feias), mas beleza não é fundamental! Do que adianta a beleza? Não sou hipócrita: a beleza abre muitas portas, mas não as mantêm abertas por muito tempo, caso falte conteúdo.

 É fácil se apaixonar pelo o que é belo. Difícil é manter a porta aberta, e, consequentemente a paixão. E
essa acaba rapidinho quando não temos real admiração pelo outro.

Por isso, hoje em dia, rebaixo a beleza! Só olho para ela posteriormente. Óbvio que preciso sentir a tal química. Mas se a sinto, passo a prestar atenção no que é preliminar (requisitos mais do que necessários): nos que os olhos dizem, na sinceridade que o outro demonstra, na bondade perceptível pelas palavras e gestos. Mas, principalmente, analiso detalhadamente a forma como o cara trata os outros. Essa regra é básica: se ele é arrogante com os outros, um dia será com você; se é  fdp com alguma mulher, um dia será com você. Não nos enganemos! Mulher tem esse defeito de achar que com ela vai ser diferente! Mas não vai. Ninguém muda a essência de ninguém! É esforço em vão. Tempo perdido. E sofrimento na certa.

Não que alguns caras bons não passem por uma fase "cachorro". Eles passam sim! Até porque nós mulheres também passamos pela fase "coração de gelo". Basta se envolver com um imbecil. Preste atenção nos sinais. Analise a vida do cara, os amigos, a relação com a família. Ouça o que ele diz nas entrelinhas. Fique atenta. E aí, você vai perceber se o cara é realmente um fdp sem solução ou se apenas está passando pela fase "cachorro". Caso ele se encaixe na primeira opção, dê um tchau de longe para não cair na tentação.  Contudo, entretanto, todavia: se ele se encaixar na segunda opção, por que não dar uma chance?! Pode valer a pena.

Aprendi cedo a lição. Se o cara não passar pelo juízo de admissibilidade, não entro no mérito, já estou fora. Tiro ele de circulação sem julgamento do mérito mesmo. Ah! E sem direito a qualquer nova tentativa, a ampla defesa e tampouco ao contraditório. Caras assim não são merecedores de uma dupla análise. É questão de justiça!

Na vida amorosa, o que vale é o Direito Penal do Inimigo (rs! que me entendam, meus amigos juristas). Teoria de Jakobs. Nada de defesa, nada de recurso. Até porque aqueles reprovados no juízo de admissibilidade, não estão incluídos na categoria de "homens". Portanto, não merecem tratamento igualitário. A eles, se aplicam outras regras. É o direito penal do terror no campo amoroso! A nota característica do inimigo, quer dizer, do "cachorro" é a imprevisibilidade no sentido negativo.

A idéia é a seguinte: se o cara não tem qualquer consideração, se ele não conhece nenhuma das regras de respeito a nós mulheres, ele não é sequer um homem de segunda categoria. Ele simplesmente não é um HOMEM e por isso, as penas a eles impostas são muito mais severas. Sem piedade!

Esses caras são ocos. E eu, simplesmente, não me contento com o que é vazio, escasso, sem graça, por pura ausência de vida. Eu não. Sou rosa, roxa, vermelha, azul, amarela, todas essas cores que representam felicidade. Não permito, melhor dizendo, eu proíbo que me transformem em cinza! E é isso que esses caras fazem.

Eu quero muito da vida, entendeu?! Eu quero a verdade, o sentimento. E caso eu não encontre isso, já aplico Jakobs, resolvo a situação antes que o sofrimento bata a minha porta e evito que o meu coração vire uma pedra de gelo.

PS: aos homens de primeira categoria:  esse texto NÃO é pra vocês!
 
Andréa Buschinelli - maio/2011