Perdi um sentimento, uma razão, um sentido, um coração. Perdi a vontade de acreditar, de querer. Perdi, na verdade, o próprio crer.
A COMPLEXIDADE não me permite
recuperar as perdas. Ela diz que preciso ser objetiva, realista e menos
sentimentalista. Diz o tempo todo. Não sei escutar outra coisa a não ser isto:
Acorde para a vida, menina. Pare de ser tonta. Não ache que todo
mundo é honesto e certo e correto. Porque isso não é a vida. Isso deveria ser a
vida. Mas não é.
Concordo.
A SIMPLICIDADE vem ao meu
encontro. E diz:
A vida é muito mais simples do
que você imagina. Pare de sofrer com antecedência. Ansiedade faz mal. Já lhe
mostrei isso e, inclusive, as consequências de ser obsessivamente preocupada. A
paz está dentro de você. Ache-a.
Aceno que sim.
A RAZÃO também me chama de canto:
Menina, você já é grande, já te mostrei diversas vezes, você já errou os caminhos. As pessoas não são o que
demonstram ser. Você viu tudo isso de perto, menina. Escute-me. Porque eu
trouxe você de volta. Escutei você chorar, gritar e ficar com raiva do mundo. E
você levantou porque me escutou.
Agradeço a RAZÃO, pois ela é a
responsável por muitas das minhas conquistas.
A voz do meu CORAÇÃO me puxa para
o extremo oposto. E parece uma disputa de cabo de guerra. Ela me diz:
“Menina, nem tudo se repete.
Aliás, nada é igual na vida. Você é mais forte, mais madura e muito mais
esperta do que antes. Você saberá quando as pessoas tentarem de lhe puxar o
tapete. Acredite em você. Volte Você já foi uma crente na vida. Ache-se”.
Balanço a cabeça afirmativamente.
COMPLEXIDADE, SIMPLICIDADE, RAZÃO
e EMOÇÃO: escutei todas vocês. Não consigo equilibrá-las!
Não posso sequer dizer que a RAZÃO
tem toda razão. Vivo um paradoxo, uma dúvida. Encontro o que perdi escutando
qual das vozes? Todas? Como?
Todas são coerentes e desconexas para mim: a DÚVIDA
chegou ao nosso diálogo. CERTEZA, apareça você também.


