segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sem prestar atenção

Ando sem prestar atenção no caminho, por desastrada que sou, tropeço. Recomponho-me.

Ando sem prestar atenção no caminho, sem olhar as vias, se é esquerda, direita, ou se simplesmente vou em em frente. Perco-me. Acho-me. Foi sorte, talvez.

Ando sem prestar atenção no caminho, bato a cara na vidraça: é a miopia. Ajeito-me. Porque é o que me resta fazer. Foi força, quem sabe!

Ando sem prestar atenção no caminho, acabo numa estrada escura, deserta, vazia e me desespero. A luz aparece. Não sei como e nem de onde. Foi fé, possivelmente.

Ando sem prestar atenção no caminho, bato o dedo numa pedra, caio, bato o joelho no chão de paralelepípedo e sangro. Levanto-me e estanco o que há para ser estancado. Foi ajuda providencial: acho que sim!

Ando sem prestar atenção no caminho e em nada. Não vejo a realidade que teima em querer me enganar. Estou distraída e desatenta, ainda assim, tento entender o mundo. Entendo apenas um pouquinho, dói e choro. Curo-me. Foi Deus, provavelmente.


Ando, sobretudo, sem prestar atenção no meu coração e nas entrelinhas da vida. Tento compreender. Não consigo.

Ando sem prestar atenção no amor, apesar de só saber falar e escrever sobre amor. Peço a coerência e a constância. Mas elas não aparecem.

Paro, Paraliso, pois já que não consigo prestar atenção no caminho e nem sequer no que está dentro de mim (meu coração) preciso compreender os porquês, as causas e as consequências dessa ausência de entendimento. Analiso, estudo, penso, leio, escuto, faço contas, revejo. Nada acontece. Continuo sem entender.

Só há uma conclusão: não sei lidar com grandes coisas, não sei o que é amor, não vejo o meu coração. Preciso de aulas. Onde se aprende essas lições? A intuição me responde: "é fácil: vivendo.". E eu respondo: "Eu vivo, mas é difícil.".

Sorte, Força, Fé, Ajuda providencial, Deus : suplico que me ajudem a continuar no caminho.